São Paulo – Uma brasileira e uma marroquina estão entre as ganhadoras da edição deste ano do prêmio Mulheres na Ciência promovido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e a Fundação L’Oréal. Thaisa Storchi Bergmann, do Brasil, e Rajaâ Cherkaroui El Moursli, do Marrocos, receberão a premiação na próxima quarta-feira (18), em Paris, na França.
As duas foram escolhidas na categoria principal do prêmio, que aponta uma cientista por região. O trabalho de Bergmann foi reconhecido na América Latina e o de Moursli na África e Países Árabes. Também foram selecionadas outras 15 jovens pesquisadoras, em diversas regiões do mundo, para receber bolsa de estudos.
A brasileira é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nas áreas de Física e Astronomia. Entre as iniciativas que a levaram a conquistar o prêmio está a pesquisa sobre como os buracos negros influenciam a evolução das galáxias via acumulação e ejeção de matéria ao seu redor. Ela atua no Instituto de Física da UFRGS.
Já a marroquina é professora da Universidade Mohammed V, de Rabat, e trabalha com Física de Alta Energia e Física Nuclear. Moursli contribuiu em uma das grandes descobertas da Física, que foi a prova da existência do Bóson de Higgs, partícula responsável pela criação da massa do universo. Segundo a Unesco, ela trabalha pela elevação do nível de investigação científica em seu país, contribuindo para a saúde local com a criação do primeiro mestrado em Física Médica no Marrocos.
Também receberão o prêmio a cientista Yi Xie, da China, pela região Ásia/Pacífico e por sua pesquisa com química inorgânica, a inglesa Dame Carol Robinson, pela Europa, com trabalhos em espectrometria de massa de macromoléculas, que é a identificação das moléculas no universo das proteínas, e Molly Shoichet, do Canadá, pela América do Norte, pelos reflexos do seu trabalho com fotoquímica para regeneração do tecido nervoso.
Desde 1998, o programa Mulheres na Ciência já reconheceu 2.250 mulheres de mais de 110 países. De acordo com a Unesco, é necessário que o mundo avance no equilíbrio dos gêneros na ciência, já que, atualmente, apenas 30% dos pesquisadores do mundo são mulheres.


