São Paulo – Cestas, bolsas, brincos, pulseiras, mandalas. Essas são algumas das peças que a artesã brasiliense Maria de Lourdes Amado está produzindo para levar para a Argélia, onde será realizado o 2º Festival Cultural Pan-Africano, de 05 a 20 de julho. Essa é a primeira vez que Maria de Lourdes vai participar de uma feira num país árabe. “A expectativa é muito grande. É emocionante participar de um evento desses”, afirma a artesã.
O diferencial da arte de Maria de Lourdes, que teve a ajuda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/DF) para dar início aos negócios no exterior, está na matéria-prima utilizada por ela: o capim dourado, que é uma fibra natural existente apenas nos estados brasileiros do Tocantins, Bahia, Goiás, Maranhão e Piauí. “Não uso máquina para a produção. Faço tudo à mão”, explica.
De acordo com ela, a cultura de trançar e costurar o capim dourado é de família. “É um trabalho que passa de mãe para filha”, diz ela, que conta com a ajuda da filha para a produção. “Na época da minha bisavó, o capim era costurado com espinho. Agora, usamos agulha”, acrescenta a artesã, que tem orgulho de preservar essa cultura indígena brasileira. “A arte é a mesma, mas vamos modernizando de acordo com o tempo”, afirma Maria de Lourdes, que também começou a substituir a seda de buriti por linha comum para a preservação na natureza.
No ano passado, Maria de Lourdes participou pela primeira vez de uma feira no exterior, na Índia. “Foi um sucesso. As peças foram muito bem aceitas”, diz a artesã, que já tem suas peças comercializadas na França, Japão, Itália e Estados Unidos. Segundo ela, os embarques não são regulares, mas sempre surgem pedidos.
Atualmente a artesã conta com uma equipe de 16 ajudantes para a produção das peças. “Quando chega uma encomenda, a gente divide o trabalho”, afirma ela, que não tem um número certo de volume de produção mensal. “Vamos fazendo de acordo com os pedidos”, diz. Em um mês, o grupo já chegou a produzir até mil peças. “Não trabalhamos com quantidade, mas com qualidade”, acrescenta.
O tempo médio para a produção de uma peça grande varia de 3 a 4 dias. No caso de uma mandala, por exemplo, que Maria de Lourdes também enfeita com pedras brasileiras, do tipo ônix e cristais, leva 4 dias. Para a produção, a artesã compra capim dourado e piaçava (outro tipo de fibra) da Bahia e as pedras de Goiás.
Além das peças decorativas, como fruteiras, sousplats, caixinhas, luminárias, mandalas e bolsas, Maria de Lourdes trabalha com bijuterias, tiaras e chapéus. Seu artesanato já está presente em diversas lojas do Brasil. A maioria dos contatos com compradores internacionais se deu em eventos no mercado interno, mas Maria de Lourdes acredita que há grandes oportunidades no exterior. “Participo das feiras para mostrar a minha cultura. A cultura do meu povo”, afirma.
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Maria de Lourdes
Site: www.capimdourado.net

