São Paulo – Trabalhar para o desenvolvimento de novos negócios, que sejam inovadores e com grande potencial de crescimento. Esta é a missão da Endeavor Global, empresa norte-americana, sem fins lucrativos, que foi fundada em 1997 e que já atua em 15 países. Fazer este trabalho na região do Oriente Médio será a missão da brasileira Ludmilla Figueiredo, que vai se mudar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a partir de outubro.
Ludmilla ocupará o cargo de gerente sênior de Marketing. A Endeavor tem escritórios no Egito, Jordânia, Turquia e Líbano. O foco da companhia é promover o empreendedorismo em países em desenvolvimento, mas a escolha de Dubai como sede para o trabalho de Ludmilla se deve à necessidade de buscar parceiros que ajudem a promover a cultura empreendedora no Oriente Médio, o que inclui grandes empresários e também o suporte da mídia local.
“É um lugar estratégico para a região, em termos de desenvolvimento, e por ter uma forte rede de líderes empresariais”, diz a executiva. “Vou construir uma rede de mentores, tornar a empresa mais conhecida e me envolver nas atividades locais de empreendedorismo”, conta. A rede de mentores a qual ela se refere é formada por empresários bem sucedidos que, voluntariamente, se dispõem a dividir sua experiência com aqueles que estão começando um negócio. “Eles procuram isso (compartilhar conhecimento), porque já construíram muita coisa”, afirma.
Formada em Comunicação Social com habilitação em Criação, Ludmilla entrou no mundo dos negócios por acaso, porque precisava de dinheiro para financiar os cursos de especialização em sua área. “No final, acabei adorando. Vi que estava no lugar certo, trabalhando com marketing, planejamento e estratégia”, revela. Ela trabalhou em empresas como TIM, Kellogg’s e Webtrends, até chegar à Endeavor Brasil, na qual ficou por três anos e meio. Procurando por uma experiência internacional, descobriu que matriz da empresa estava expandindo a atuação no Oriente Médio, e decidiu aceitar o desafio.
Aos 26 anos, ela não se preocupa com os obstáculos que pode encontrar. “Se fosse pensar nas dificuldades, eu poderia desistir dessa oportunidade”, destaca. “Eu tenho muita coisa nova para aprender, principalmente na área cultural. Do que eu pude conversar com as pessoas de lá, senti uma boa receptividade”, conta. O que ela espera alcançar em seu trabalho no Oriente Médio? “Quero fazer uma revolução empreendedora”, diz, enfática. “Quero colocar os empreendedores na mídia, mostrar as melhores práticas, mostrar o que está acontecendo em empreendedorismo no Oriente Médio”, explica.
Atualmente, a Endeavor trabalha com 76 empreendedores na região. Para fazer parte de sua rede, o faturamento mínimo da empresa deve ser de US$ 1 milhão. Assim, a Endeavor não atua no começo de uma nova empresa, mas impulsionando o crescimento de negócios que estão se desenvolvendo. Em 2010, a receita das empresas atendidas pela Endeavor ao redor do mundo foi de US$ 4,5 bilhões. “O objetivo é fazer com que as empresas cresçam de 30% a 40% por ano, em média.”
No Oriente Médio, a expansão da Endeavor tem o apoio do Abraaj Capital, fundo de investimentos de Dubai. Há também empresários como Fadi Ghandour, fundador da Aramex, empresa de logística e transporte, que apoiam o desenvolvimento do empreendedorismo na região. “A identificação deles com a causa é o que faz com que se envolvam. A Endeavor quer minimizar entraves e gerar mais empreendedores como eles”, afirma Ludmilla.
Sobre o perfil dos empreendedores na região, ela conta que a maioria é formada por homens, e que a idade gira em torno de 25 a 44 anos. Em relação ao tipo de negócio que abrem, a maior parte se insere nos setores de tecnologia ou varejo. “Mais ou menos 60% das empresas é de tecnologia. Há também muito do mercado de luxo sendo explorado, como a ‘The Bakery Shop’, do Egito, que traz o conceito de uma padaria elitizada”, conta.
O plano inicial é que a executiva fique um ano em Dubai, mas ela quer mais. “A intenção é ficar um tempo lá, pelo menos dois anos, para fazer a revolução empreendedora”, completa.

