Dubai – Desde que levou sua construtora para o Oriente Médio, o empresário brasileiro Omar Hamaoui apostou no crescimento dos dois principais mercados da região: Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. No começo deste ano os negócios cresceram com a chegada da empresa ao Catar. Assim como na Arábia Saudita, o Catar é um dos países do Golfo com maior crescimento do mercado de construção.
"O Catar vai receber uma Copa do Mundo (em 2022), tem dinheiro e está preparando seu planejamento (de obras)", disse Hamaoui sobre o que o levou ao país árabe. Este novo escritório não irá substituir o de Dubai. A sede dos Emirados Árabes Unidos será utilizada para gerenciar as obras na região, os contratos e os orçamentos. Além deste escritório, a Engeprot está deixando Riad, onde ficava sua sede saudita, com destino a Jeddah, outra cidade do país que tem mercado imobiliário aquecido e onde a Engeprot tem duas obras em andamento.
Enquanto diversifica a atuação no Golfo, a Engeprot administra os negócios em Dubai. A crise de 2008 prejudicou todas as empresas da região e com a construtora de Hamaoui não foi diferente.
"Não teve empresa que não sentiu os efeitos da crise. Neste período, o nosso desafio foi manter as equipes, fazer obras de custo-benefício razoável e receber os atrasados", disse Hamaoui. Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes, não sofreu tanto com a crise quanto Dubai, mas mesmo assim não ajudou os negócios porque o governo está refazendo o planejamento urbano daquele emirado.
Hamaoui está em Dubai desde 2004. Decidiu deixar Curitiba, onde ainda mantém uma construtora, e investir no Oriente Médio depois de visitar a feira Big 5, em 2003, e ver que havia oportunidades no emirado. Desde então, já participou de obras como a construção do Oasis Mall, um dos shoppings de Dubai, e do edifício-garagem do metrô de Dubai. No portfólio da Engeprot também há obras em Abu Dhabi e os projetos em andamento na Arábia Saudita.
Embora os negócios em Dubai não tenham mais o ritmo e a lucratividade do que ocorria há cinco anos, Hamoui disse que o mercado imobiliário começa a se recuperar. Mesmo assim, não será como antes.
"Havia pessoas que compravam casas de 500 metros quadrados por US$ 4 milhões. Hoje, paga-se cerca de US$ 2 milhões. Havia casos em que um mesmo imóvel chegava a ter três proprietários em períodos diferentes antes que começasse a ser construído. Dificilmente isso voltará a ser real", disse, durante uma palestra apresentada a uma missão de empresários do setor organizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) em parceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira .

