Geovana Pagel
São Paulo – O vinho e o vinagre feitos à base de mel pela Apícola Fernão Velho, de Maceió, Alagoas, em breve poderão ser apreciados por consumidores norte-americanos e europeus. Após lançar a novidade no Brasil no ano passado, o empresário Mário Calheiros Lima, que passou sete anos fazendo pesquisas e experiências até desenvolver os dois produtos, aposta no sucesso das vendas para o mercado externo.
"Tanto o hidromel (nome técnico do vinho de mel) quanto o vinagre de mel são produtos bem apurados e muito aceitos no exterior. Conheci o vinagre à base de mel em 1997, quando estive no Canadá. Desenvolvi a técnica com uma pitada brasileira e foi um sucesso quando lançamos na Fispal (Feira Internacional de Produtos e Serviços para Alimentação) do ano passado, em São Paulo", lembra.
Foi durante a feira que Lima iniciou a negociação com um grande distribuidor de alimentos sediado nos Estados Unidos, que já enviou pedido de cotação de duas mil garrafas apenas para degustação. "Só isso já permite termos uma idéia do tamanho do mercado que teremos", comemora Lima. Na Europa, os primeiros países alvo da empresa são Alemanha, França e Holanda. "Acreditamos que o volume de exportações para o mercado europeu talvez seja até maior que o dos Estados Unidos", avalia.
Atualmente a empresa envasa três mil garrafas de 500 ml de vinho e três mil garrafas de vinagre. Com o início da exportação, em pouco tempo o empresário espera utilizar toda a sua capacidade produtora de 10 mil garrafas por mês e, nos próximos 12 meses, dobrar sua produção.
No Brasil, o vinho e o vinagre de mel já são comercializados em Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo e São Paulo. O vinagre, vendido em garrafas de 500 ml, custa entre R$ 15 e R$ 17 para o consumidor final. O vinho, com um sabor forte, apurado e seco, muito utilizado na preparação de carnes especiais, pode ser encontrado por R$ 12 a R$ 14 a garrafa, também de 500 ml.
Sete pessoas trabalham na linha de produção da Fernão Velho. O mel, usado como matéria-prima, também é produzido pela própria empresa. "Essa é a garantia de um mel de excelente qualidade, que não apresenta resíduos químicos", ressalta o empresário.
Pesquisa
Lima já trabalha com mel há mais de 15 anos e foi durante a participação em um congresso em Québec, no Canadá, que ele teve o primeiro contato com o vinho de mel. De volta a Maceió, ele contatou a Universidade Federal em Alagoas, por meio do pesquisador Evandir Gonçalves, para buscar apoio para sua pesquisa. Importou leveduras especiais de Munique, na Alemanha, para fabricação do vinho de mel, que era a idéia inicial. O passo além de Québec foi produzir o vinagre de mel.
Único no Brasil, o vinagre contém mel, água pura e leveduras. Segundo ele, o que torna a novidade surpreendente é o sabor suavemente agridoce. O processo de produção é por meio da pasteurização na própria garrafa, o que elimina a necessidade de conservantes químicos e preserva o sabor.
Embalagem diferenciada
Com o objetivo de agregar ainda mais valor ao produto, Lima contou como o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para desenvolver a embalagem. "O projeto levou um ano para ser concluído, mas o resultado foi positivo. Todos os produtos são embalados em vidro virgem, com tampa especial de alumínio, com lacre e dosador interno com conta-gotas para evitar desperdícios. Também criamos um rótulo especial plastificado, mais higiênico", explica o empresário.
"Conseguimos chegar a um conceito em que o vinagre é apresentado como uma iguaria utilizada para temperar saladas e marinar carnes especiais. Além de ser bastante saudável, pois é um produto 100% natural", garante Lima. "Mais um diferencial para atrair os importadores", aposta.
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