Alexandre Rocha, enviado especial
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Dubai – A Gulfood, feira da indústria de alimentos que começou ontem (24) em Dubai, já começou a render negócios para as empresas brasileiras. A Café Canecão, por exemplo, acertou o envio de cerca de US$ 100 mil em café solúvel para um cliente da Arábia Saudita. O empresário é representante da fábrica em seu país e queria passar a importar o produto com sua marca própria, a Caffa Coffe. Ontem ele aprovou a embalagem e fez o pedido.
“Ele acertou detalhes da nova carga e trouxe mais investidores para aumentar mais sua rede de clientes, que inclui a maior cadeia de supermercados da Arábia Saudita”, disse o consultor de exportação da Canecão, Khalil Fraig.
Para ele, a quantidade de contatos feitos pela empresa foi boa para um primeiro dia de feira, superando até a da última edição da Anuga, mostra de alimentos que ocorre na Alemanha. A Canecão é uma das 12 empresas que estão expondo no estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pelo Ministério da Agricultura. “O apoio da Câmara e do ministério dá mais confiança aos negócios”, declarou Fraig.
Quem fechou negócio também foi a Tirolez, fábrica de queijos, mas antes até do início da feira. No sábado, o gerente de exportação da empresa, Paulo Hegg, se encontrou com um importador líbio com quem ele já vinha negociando e bateu o martelo em um contrato de cerca de 80 mil euros. Ontem, segundo Hegg, os produtos mais procurados pelos visitantes foram queijo fundido e requeijão.
A Agro Food, por sua vez, estava prestes a fechar um novo negócio no final da tarde de ontem: a venda de cerca de US$ 60 mil em café da marca Jamile, especial para a preparação do chamado “café turco”, que não é coado. “Se concretizado o negócio pode se estender por dois anos, com o envio de um contêiner a cada dois meses”, disse Reinaldo Guglielmi, diretor da empresa.
Ele acrescentou que durante o dia houve grande procura por café verde e especiarias. “A recepção foi boa”, afirmou Guglielmi.
Já a Pacific, que vende balas, bolos e bolachas, recebeu visitas de importadores de países para os quais ainda não vende, como Kuwait e Irã. Segundo a trader da empresa, Adriana Valente, existe a possibilidade de fechar negócios.
Quem acredita nessa possibilidade também são os representantes da Serlac, trading vinculada ao laticínio Itambé. “Nossa perspectiva é muito boa. Se for mantido o ritmo de hoje temos uma perspectiva muito legal”, disse o trader Luiz Mizutani. “Teve gente com bastante interesse”, acrescentou o gerente comercial, André Campos.
Para a Companhia Cacique, dona da marca Café Pelé, o primeiro dia cumpriu as expectativas. “Tive contatos interessante, até do filho do dono de um supermercado grande, de várias pessoas interessadas em importar com marcas próprias e outras interessadas em ser agentes da Cacique”, afirmou Argélia Andrade, do departamento comercial da empresa. “Servi bastante café e todos gostaram”, disse. Ela acredita que os contatos vão gerar algum negócio.
A gerente de exportação da Paladar, fabricante de misturas alimentícias em pó, Giselle Queiroz Bissoli, disse que recebeu visitantes de vários países, entre eles Irã, Iraque e até Madagascar. “O bacana dessa feira é que ela abre oportunidades em vários países”, afirmou. De acordo com ela, as mercadorias mais procuradas foram achocolatados e refrescos em pó.
No caso da Alibra, que produz derivados em pó de leite, houve bastante interesse, segundo o diretor da Alliance Commodities, parceira da Alibra, Otavio de Farias. Os produtos da empresa são mais utilizados como insumo na indústria alimentícia.
A Essenciale, que produz itens à base de mel e própolis, fez um trabalho de apresentação, já que seus produtos são pouco conhecidos. O que mais chamou a atenção dos visitantes, de acordo com a presidente da companhia, Nivia Alcici, foi uma bebida energética feita com própolis, mel, guaraná e catuaba.
No caso da Embaré, que produz lácteos e confeitos, o primeiro dia ficou dentro das expectativas. A empresa já vende sua linha de doces ao Oriente Médio e quer passar a vender também os lácteos. O produto mais procurado foi o leite em pó.
Joint-ventures
Cerca de 40 empresas brasileiras estão participando da Gulfood, algumas com estandes próprios e outras em parceria com entidades setoriais. Uma dessas instituições é a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). “Não vai ter boi sobrando no Brasil”, disse o presidente da entidade, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, referindo-se à demanda observada na feira e às perspectivas de aumento do consumo no mercado interno do Brasil.
De acordo ele, os empresários locais que visitaram o estande da Abiec fizeram muitas propostas de formação de joint-ventures com empresas brasileiras. “O pessoal que montar empresas aqui para fazer alguma elaboração do produto e para distribuir na região”, afirmou.
Esse, segundo Pratini, é um caminho que já vem sendo seguido por empresas do Brasil com parcerias firmadas em locais como Rúsia, Europa, Argentina e Chile.
Ele acrescentou que o crescimento econômico em países emergentes faz com que o consumo de carne bovina aumente. “A tendência é o Oriente Médio, a Rússia e o próprio Brasil comprarem cada vez mais carne”, afirmou.
Esta demanda, em sua avaliação, pode compensar em parte o prejuízo causado pela suspensão das importações pela União Européia. “Mas, de qualquer maneira o UE vai voltar a comprar. O mundo precisa do Brasil para comer”, concluiu.
A Gulfood foi inaugurada pela ministra do Comércio Exterior dos Emirados Árabes Unidos, Lubna Al Qasimi, e vai até o dia 27.

