Isaura Daniel, enviada especial
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Doha – O Catar está construindo uma ilha artificial residencial de luxo e brasileiros terão imóveis no local. Chamado de The Pearl (A Pérola), o empreendimento receberá investimentos de US$ 13,9 bilhões até o término da construção, em 2011. A informação foi dada à ANBA por Mira El-Baphe, relações públicas da United Development Company, dona do projeto. A empresa não fornece detalhes sobre os compradores, mas segundo informação apurada pela ANBA, os brasileiros que compraram unidades no local são quatro paulistas.
A ilha é o primeiro local, no Catar, onde estrangeiros podem ser proprietários integrais de uma residência. As demais opções, para pessoas não nativas morarem no país árabe, são alugar uma casa ou apartamento ou comprá-lo para o uso por 99 anos. Depois disto, o imóvel tem que ser devolvido ao governo. The Pearl, que está em construção e terá quatro milhões de metros quadrados, foi visitada ontem (22) pela missão brasileira do setor de construção que esteve em Doha. A primeira parte da ilha, chamada Porto Arábia, está toda vendida e começará a ser habitada na metade de 2008.
Porto Arábia terá apartamentos em edifícios e também casas, além de uma marina com capacidade para 400 barcos e espaços de serviços como cafés e restaurantes. Serão um milhão de metros quadrados. O projeto todo tem 32 quilômetros de costa. A ilha também terá, em uma das suas extremidades, nove pequenas ilhas que serão propriedades particulares. Cada uma custa US$ 25 milhões e já foram todas vendidas, segundo Mira. É a residência mais cara do projeto. Nas ilhas milionárias, porém, as casas não vêm construídas, ficam a cargo do próprio dono.
Os imóveis mais barato na The Pearl são estúdios, hoje avaliados em US$ 400 mil. Os imóveis, de acordo com Mira, já se valorizaram bastante desde o início das vendas. Os primeiros estúdios, segundo ela, forma vendidos por US$ 200 mil. Ou seja, hoje valem o dobro. A maioria dos donos das casas e apartamentos é do próprio Golfo Arábico, principalmente do Catar. Há também muitos norte-americanos. A presença dos estrangeiros na ilha, segundo a relações públicas, é boa para o Catar porque acaba sendo uma publicidade para o país árabe.
A segunda parte da ilha que entrará em operação está 70% vendida, segundo Mira. Mas outras partes ainda não foram nem colocadas à venda. Metade dos compradores é investidor, segundo ela. A outra metade é formada por pessoas que pretendem viver no local. O projeto não é todo executado pela própria United Development Company. Alguns investidores compraram parte dele e se encarregam eles próprios em fazer a construção, de acordo com as especificações da planta da ilha.
Os empresários brasileiros que visitaram o local de exposição da maquete do projeto, onde é possível ver parte das obras, ficaram interessados em fornecer material de construção para a The Pearl. Eles foram informados que devem procurar a incorporadora para que sejam encaminhados para os departamentos adequados. Tanto a United Development Company compra materiais de construção, quanto os investidores que levam parte da obra adiante.
A ilha terá um total de 40 mil moradores ao final da sua construção. A empresa dona do projeto é uma das maiores empresas privadas do Catar. Ela foi criada em 1999 e atua não apenas no setor imobiliário, mas também com outras áreas como infra-estrutura, energia e investimentos. A delegação brasileira que visitou a The Pearl esteve no Catar entre os dias 20 e 22. Ontem mesmo, a missão, que é promovida pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pela Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), partiu para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

