São Paulo – Importadores brasileiros de azeite de oliva tiveram a oportunidade de conhecer o produto marroquino em rodadas de negócios realizadas na segunda (16) e na terça-feira (17), na capital paulista. Oito empresas do país árabe participaram das conversas, em evento que fez parte de uma missão do setor oleícola, organizada pelo Ministério da Agricultura e Pesca do Marrocos, com o apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O Marrocos ainda não exporta seu azeite diretamente ao Brasil. O objetivo da missão é justamente a abertura do mercado brasileiro ao produto feito no país do Norte da África.
“Nós já conhecemos o produto marroquino há algum tempo, pois o Marrocos é um grande fornecedor de azeite para países europeus, mas é a primeira vez que eu tenho contato direto com produtores”, contou Armando Soares, da trading paulistana Le Roy, focada na importação de alimentos para indústrias e atacadistas brasileiros.
“A indústria [marroquina de azeite] está bastante avançada, é uma indústria moderna e em franco crescimento”, apontou o executivo. Segundo ele, dos 50 clientes com os quais atua, a maior parte deles tem o azeite como um de seus produtos de interesse. Soares fez uma avaliação positiva do azeite marroquino e acredita que há outros fatores que devem contar para a abertura do mercado brasileiro.
“A qualidade do azeite é boa e, no mundo do azeite, você sempre pode ajustar o seu produto fazendo blends (misturas) adequados a cada mercado. Acho que a questão maior fica por conta do preço e do interesse do importador em inovar com a origem do produto. O Brasil está muito habituado a consumir o produto vindo de Portugal, da Espanha, da Argentina. Do Marrocos, seria uma novidade”, destacou.
Hanane Zehrouni, diretora-adjunta da marroquina Lesieur Cristal, também fez a mesma avaliação sobre os hábitos de compra de azeite no Brasil. “As pessoas estão acostumadas ao azeite português”, disse. Para ela, introduzir o azeite marroquino no Brasil “é um grande trabalho”. “Mas é uma oportunidade e eles (importadores) deveriam aproveitar para dar uma chance ao azeite marroquino de entrar no mercado brasileiro”.
A Lesieur Cristal é uma das mais antigas produtoras de azeite no Marrocos. A empresa foi fundada em 1937. Atualmente, produz dez mil toneladas de azeite por ano e exporta 70% dessa produção. Seus principais mercados são Itália, Espanha, Portugal e Estados Unidos. Zehrouni, que conversou com oito empresas brasileiras até a manhã desta terça, acredita que sua empresa deve fechar negócio com algumas delas.
Hicham Chraibi, diretor-geral da Olea Capital, também aposta na abertura do mercado nacional para o azeite do Marrocos. “Para nós, o Brasil é interessante porque é um mercado novo e nós queremos exportar para o Brasil um produto premium. Acreditamos que segmentos gourmet podem estar interessados nesse tipo de produto”, afirmou. Segundo o executivo, a empresa é uma das líderes no setor de azeite no Marrocos.
A Olea produz 1,5 mil toneladas de azeite extra virgem por ano, mas quer chegar a quatro mil toneladas nos próximos quatro anos. “Exportamos 95% de nossa produção. Nosso principal mercado é os Estados Unidos e exportamos também para a Europa”, contou.
A Agro Nafiss também é focada na produção de azeite extra virgem. Zoubida Chahdi, diretora de Desenvolvimento, destacou que a empresa produz dois tipos diferentes de azeite, um mais apimentado e um mais doce. Por ano, a indústria fabrica 150 toneladas de azeite, dos quais 30% são exportadas. O que fica no mercado interno é vendido para hotéis e restaurantes. “No Brasil, estamos procurando um distribuidor que possa colocar nossa marca no mercado. Podemos fazer rótulos com marca própria (do comprador), somos muito flexíveis”, destacou.
Com uma produção de 800 toneladas de azeite por ano, a La Maasera quer vender azeite engarrafado no Brasil. “Estamos aqui para mostrar nosso produto às empresas brasileiras, para que elas os conheçam e para que possamos ter contatos e trabalhar juntos”, ressaltou Talha Abdelilah, diretor de Olivicultura. Hoje, 95% da produção da La Maasera vai para os Estados Unidos, enquanto o restante é consumido no mercado marroquino.
O executivo, que havia conversado com cinco empresas até a manhã desta terça, acreditava que duas delas poderiam lhe render negócios. “Eles devem visitar o Marrocos para ver as plantações e ter mais informações sobre nosso grupo antes de começar a importar”, completou.


