Riad – Duas empresas brasileiras vão fechar neste domingo (17) parcerias com companhias sauditas, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Câmara de Comércio e Indústria de Riad. Lula chegou neste sábado à capital saudita para uma visita de dois dias acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia e dos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Franklin Martins (Comunicação Social).
A Biomm, empresa de biotecnologia com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais, vai firmar um acordo com o grupo saudita Gabas para iniciar a produção de insulina no país árabe. O investimento, de acordo com embaixador do Brasil em Riad, Sérgio Canaes, será de US$ 100 milhões, sendo que a companhia brasileira vai participar com US$ 30 milhões e transferir a tecnologia. O objetivo é comercializar o produto em todo o Oriente Médio.
Já a Petrobras, de acordo com o embaixador, vai formar uma joint-venture com a também saudita Modern Chemicals para a produção de coque verde, derivado do petróleo que causa menos danos ao meio ambiente do que o carvão e pode ser utilizado em usinas termelétricas.
Neste sábado, também na Câmara de Riad, ocorreu o primeiro dia de encontros de negócios da delegação empresarial que acompanha Lula. Segundo o assistente-executivo do secretário-geral da entidade, Shehab Al-Swailem, em seus 25 anos de câmara, foi a primeira vez que ele viu um grupo tão grande de empresários sauditas comparecer a um encontro com representantes de companhias estrangeiras. “Esse é um bom sinal”, disse.
Para ele, os dois países têm muita coisa em comum na seara econômica e também do ponto de vista social. “Precisamos trabalhar pra desenvolver as relações mais e mais, usado todos os métodos disponíveis”, declarou.
Swailem destacou que 70% da população da Arábia Saudita é composta por jovens. “E isso diz muito, pois pode ser convertido em oportunidades de negócios”, afirmou ele, acrescentando que trata-se de uma população ávida por produtos e serviços como alimentos, transporte, lazer, educação, saúde, entre outros. “Se alguém levar esse número em consideração vai entrar em centenas de oportunidades”, disse.
Swailem abriu o evento ao lado do presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, e do vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Tigre.
Schahin destacou que a Arábia Saudita já é o primeiro parceiro do Brasil entre os países árabes, mas é preciso ir além do comércio e explorar as oportunidades de investimentos existentes nos dois países. “Nesse período de crise internacional, nós precisamos explorar mais nossas afinidades”, declarou.
O presidente Lula teve na noite deste sábado encontros com o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdulrahman Al Attiyah, e com o rei saudita, Abdullah Abdulaziz Al Saud.

