São Paulo – Onze cientistas brasileiros apresentarão suas pesquisas em biotecnologia em um congresso mundial da área que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nos dias 14 e 15 de fevereiro. Eles pertencem a universidades e institutos de pesquisa do País e vão falar de temas variados, como o estudo da tanase (enzima vegetal) oriunda da Caatinga, uso da casca de coco para produção de etanol e as condições ideais para a produção das enzimas peptidases. O encontro é organizado pela Eureka Science, empresa de eventos em Sharjah, nos Emirados, com apoio do Higher Colleges of Technology, instituto de educação em tecnologia do país árabe.
O Brasil tem grande reputação internacional na área de biotecnologia, afirma a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Patricia Machado Bueno Fernandes, que dará duas palestras no congresso. A pesquisadora vai falar, em uma das suas apresentações, sobre fermentação com levedura na produção de álcool para bebida e combustível e, na outra, sobre o ambiente de estresse necessário para que a fermentação ocorra. Os temas são parte da sua pesquisa na Ufes, que tem por objetivo aumentar a produção de álcool e encontrar o ambiente ideal para ela.
Também da Ufes, o professor Antonio Alberto Ribeiro Fernandes fará um pôster sobre a sua pesquisa com resíduos do coco verde. No pôster, o pesquisador deixa seu trabalho exposto e fica à disposição para esclarecimentos. Fernandes estuda a possibilidade de fabricação do etanol a partir da casa de coco, já que sobram muitos deles no Nordeste brasileiro, em função do turismo. Tanto Patricia como Fernandes fazem parte da Rede Nordeste de Biotecnologia. Foi por meio da rede que Patricia ficou sabendo do congresso e fez a inscrição.
A pesquisadora capixaba acredita que o encontro mundial será uma oportunidade não apenas de mostrar os trabalhos brasileiros, mas também para desenvolver parcerias com pesquisadores e institutos de fora do País. Patricia nunca foi para Dubai, mas afirma que pesquisou sobre os Emirados, depois de ficar sabendo onde seria o congresso, e encontrou um instituto que atua em biotecnologia. O país tem o The Dubai Biotechnology & Research Park, que é o maior polo de desenvolvimento de ciências no Oriente Médio.
Também representarão o Brasil no congresso os pesquisadores Ana Silvia Rocha Ipiranga e Diego de Queiroz Machado, da Universidade Estadual do Ceará, Patricia Gomes Cardoso, da Universidade Federal de Lavras, Youssef Ali Abou Hamin Neto, da Universidade de São Paulo, M.A.F Saraiva, da Universidade Federal de Viçosa, Pierre Basmaji, da empresa de pesquisa Innovatec’s, Mauricio Fonse, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Denize Dias de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Eliamar Aparecida Nascimbém Pedrinho, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).


