São Paulo – Em rodada de negócios com importadores árabes nesta quarta-feira (02), na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, algumas das empresas brasileiras trouxeram produtos diferenciados para apresentar aos compradores do Oriente Médio e Norte da África.
O evento faz parte de um Projeto Comprador organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex-Brasil) em parceria com a Câmara Árabe. Sete importadores do Oriente Médio e Norte da África participam das reuniões.
“Nosso produto é inovador. Todas as nossas linhas são feitas a partir da biomassa de banana verde, que é um alimento funcional. Desenvolvemos uma linha salgada e uma linha doce de patês e antepastos. É um produto rico em fibras”, destacou Lourival Franchi, sócio-diretor da empresa paulista La Pianezza.
“Temos nossa linha de cremes de chocolate com quatro sabores: avelã, coco, amendoim e amargo, e na linha salgada temos alcachofra, castanha de caju, nozes, tomate com pimenta e sardela”, explicou o empresário. Ele disse que começou a exportar os alimentos para a Alemanha e Estados Unidos, e está buscando novos mercados.
Até o momento da entrevista, ele havia conversado com representantes da Arabian Trading Corporation (Atraco), da Arábia Saudita, e do Lulu Group, dos Emirados Árabes Unidos. “As conversas foram bastante interessantes, o pessoal foi bem receptivo e estão buscando produtos diferenciados. Vejo grande potencial de negócios, principalmente com o Lulu”, apontou.
Também participam das rodadas o Groupex, do Marrocos; Elmahmal Group e AM Group, do Egito; Union of Consumer Cooperative Societies, do Kuwait; e Panda, da Arábia Saudita.
Valéria Natal, diretora de Exportação da Distillerie Stock, contou que há quatro anos sua empresa lançou uma linha de xaropes concentrados naturais não alcóolicos, que podem ser usados em pratos culinários e bebidas de diferentes tipos.
“Ele é altamente concentrado. Uma garrafa de 700 ml pode fazer de quatro a cinco litros de qualquer coisa. Tenho 31 sabores, tenho uma linha light, uma linha tropical, de frutas típicas brasileiras, como açaí, guaraná, banana, abacaxi e goiaba”, explicou a executiva.
Segundo ela, os xaropes são exportados para França, Inglaterra e Paraguai. “Queremos ampliar [os destinos de exportação] e estou quase vendendo para uma trading de Dubai. Existe um mercado enorme no Oriente Médio e a gente tem bastante interesse”, destacou Natal, que disse acreditar que haja espaço para seus produtos em todos os países muçulmanos.
As rodadas contaram também com fornecedores de produtos mais tradicionais. Daniela Pernambuco, gerente de Exportação da Berbau, fabricante de balas e pirulitos, disse que seus doces são exportados para o Iêmen, mas quer estender suas vendas para outros países árabes.
“Nossas exportações hoje são concentradas na América Central, América do Sul e África. O mercado árabe é nosso objetivo agora, para podermos ampliar nossos negócios”, afirmou. A Berbau envia de 20% a 25% de sua produção ao mercado externo.
Para ela, entre as nações que participam das rodadas, as com maior potencial para seus produtos são Egito, Marrocos e Kuwait. “São países que a gente já vem fazendo cotação em feiras e são similares ao tipo de consumo do Iêmen, onde sentimos mais receptividade à nossa linha de produtos”, explicou Pernambuco.
Bruno Barbaresco, gerente de Exportação da Guacira Alimentos, revelou que sua empresa iniciou este mês a exportação de arroz para a Arábia Saudita. O arroz é o principal produto da indústria, que tem uma produção de 12 mil toneladas por mês do alimento. A Guacira produz também feijão, açúcar, sal e óleo de soja, além de importar itens como azeites, pastas e molhos para vender no Brasil.
“Estamos aqui para tentar mover um pouco mais esse mercado [árabe], porque a gente sabe que [eles] são consumidores de arroz e a gente quer estar dentro do mercado árabe”, disse Barbaresco. De acordo com o executivo, entre os participantes das rodadas, ele acredita poder fechar negócios com a Atraco, AM Group e Panda.
Fornecedores variados
Sajauddin Amiji, sócio da Atraco, disse que está interessado em importar principalmente café, açúcar e doces. “Encontrei muitas pessoas e agora temos que ver como vamos fazer negócios”, contou o empresário. Ele disse que sua trading importa açúcar e café do Brasil e que busca novas empresas no País. “Viemos para ver as possibilidades de fornecedores alternativos”, disse.
Muneer Abu Saada, gerente de Negócios da rede de supermercados saudita Panda, participa pela primeira vez de rodadas no Brasil. Sua rede, que conta com 225 supermercados e 300 lojas menores, importa carne bovina e cortes de frango do Brasil.
Ele disse que conversou com fornecedores brasileiros de diversos tipos de produtos. Além das carnes, o importador se interessou por uma marca de cereais. “Já falei com um fornecedor de cereais que tem um produto muito bom, muito boa embalagem e preço muito atrativo. Quando eu voltar pra Arábia Saudita, vou passar para a pessoa responsável negociar com este fornecedor”, disse.
Jitin Kishore, gerente do Lulu Group, disse que compra muita carne bovina e aves do Brasil, mas neste evento busca outros produtos, como açúcar. “Estamos explorando para ver o que há de opções no Brasil agora. Vimos alguns produtos e queremos conduzir um estudo de mercado sobre eles. Se houver potencial, podemos levar adiante.” Chocolates e sucos foram os alimentos que mais chamaram a atenção do executivo no evento. “Não fechamos negócios, mas mantemos conversações abertas”, completou.
Na terça-feira (01), primeiro dia de rodada, três empresas brasileiras fecharam negócios. Uma do ramo de cereais, e duas dos ramos de doces.


