Doha – O Brasil mais uma vez confirmou sua vocação de exportador de talentos do futebol. O técnico Caio Júnior e o meio campista Juninho Pernambucano, ambos do clube Al Gharafa, do Catar, ganharam ontem (16), em Doha, os prêmios de melhor treinador e melhor jogador da temporada 2009-2010 do país árabe, que acaba de terminar.
Caio Júnior e Juninho terminaram sua primeira temporada no Catar em grande estilo, pois o time conquistou os títulos da Star Cup, da Copa do Príncipe e o tricampeonato da Liga do Catar, que é o principal torneio do país. Além disso, o Al Gharafa avançou para as quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia e volta a jogar no segundo semestre.
“Isso é maravilhoso para um treinador jovem. Havia a pressão para manter os resultados, [pois o time já era bicampeão da Liga do Catar], mas conseguimos os melhores resultados do ano”, disse Caio à ANBA. O paranaense de 45 anos já foi técnico de clubes como Palmeiras e Flamengo.
Na última temporada, o Al Gharafa só não ganhou a Copa do Emir, cuja final foi disputada no último sábado e teve como vencedor o Al Rayyan, do treinador Paulo Autuori, também brasileiro. A equipe venceu o Umm Salal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava em visita ao Catar, assistiu uma parte do jogo. Antes, questionado pela reportagem da ANBA sobre para quem ia torcer, ele disse: “Para o Corinthians”, seu time do coração.
Caio Júnior acrescentou que o prêmio recebido ontem tem grande valor para sua carreira, pois coroou o desempenho atingido ao longo da temporada. O técnico não poupou elogios a Juninho, ex-jogador da Seleção Brasileira, que continua a ter “grande motivação” aos 35 anos. “Nunca vi profissional como ele”, declarou. O Al Gharafa conta ainda com o atacante brasileiro Araújo.
O treinador chegou ao Catar após uma temporada de seis meses no Japão, mas já tinha recebido uma proposta do país quando ainda trabalhava no Flamengo. A porta, no entanto, continuou aberta e, em junho do ano passado, ele aceitou o convite.
Agora começam as férias para os profissionais do esporte no Catar. Os treinamentos serão retomados em julho, mas na França, por causa do forte calor do verão do Golfo. Mesmo em outras épocas do ano, os treinos começam geralmente após as 18 horas para evitar o sol implacável.
No Ramadã, mês do calendário islâmico em que os muçulmanos ficam em jejum durante o dia, o treinamento é feito ainda mais tarde para que os jogadores possam se alimentar após o por do sol. Apesar das diferenças climáticas e de costumes, Caio disse que a estrutura de trabalho “é ótima”. “No clube não falta nada”, destacou. O Al Gharafa foi fundado em 1979.
O técnico afirmou que a qualidade do futebol do Catar está melhorando. Prova disso é a classificação de seu time para a próxima fase da Liga dos Campeões da Ásia.
A formação de jogadores locais, no entanto, ainda é pequena e, como o país tem dinheiro, os times contratam muitos profissionais estrangeiros, principalmente da África. Embora os clubes só possam trazer três jogadores de fora, a maioria, no caso do Al Gharafa, é de estrangeiros naturalizados.
Mas, como em todo o mundo árabe, os catarianos adoram futebol e, em janeiro de 2011, o país vai sediar a Copa Asiática de Seleções. Para Caio Júnior, a experiência vai ser “excelente”, pois o Catar está na disputa para receber a Copa do Mundo de 2022.

