Marina Sarruf
São Paulo – As três empresas brasileiras que participaram das feiras de jóias Jewellery Arábia, no Barhein, e Abu Dhabi International Jewellery and Watch Show, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro, venderam cerca de US$ 550 mil em brincos, anéis, pulseiras e colares para as mulheres árabes. "Elas nos surpreendem a cada ano. As mulheres árabes gostam muito do design brasileiro", afirmou Paula Pozzobon, do departamento internacional da Vancox, fabricante mineira, que esteve nas feiras.
De acordo com Paula, a maioria dos visitantes das feiras é consumidor final. "São feiras familiares, onde há muitas mulheres, principalmente da Arábia Saudita", disse. O país árabe tem uma ponte de ligação com o Barhein, o que facilita a vinda diária de mulheres sauditas para a feira. As peças em ouro amarelo com pedras coloridas e brilhantes são as que mais agradam as mulheres árabes. "Elas gostam muito de conjuntos, por isso é sempre interessante levar peças complementares", acrescentou Paula.
O sucesso das jóias brasileiras no mundo árabe é tanto que a empresa Fiamma, também de Minas Gerais, já está presente no mercado há quatro anos. "Não trabalhamos com representantes, mas temos nossas jóias expostas em diversas joalherias na região", afirmou a gerente internacional da empresa, Michelle Deslandes, que participou das feiras.
Segundo Michelle, as exportações da Fiamma para o mercado árabe este ano devem aumentar em 20% em relação ao ano passado. Barhein, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait e Líbano estão entre os principais mercados da empresa. "As peças que produzimos para as mulheres árabes têm uma mistura bem particular do design moderno da Fiamma com os tradicionais arabescos. Elas gostam muito de conjuntos, mas sem dúvida, amam nossos brincos", disse.
O mercado árabe também é um dos principais mercados da Vancox, que participa da feira do Barhein desde 2001 e a de Abu Dhabi há três anos. A empresa não tem distribuidores na região, seus clientes são os próprios consumidores finais e alguns lojistas. "Temos planos de expansão para 2007 no mercado árabe, mas ainda é segredo", disse Paula.
A terceira empresa brasileira que esteve nos dois eventos foi a Talento, também de Minas Gerais. "Nossa coleção é muito bem aceita no mercado árabe. As mulheres árabes amam nossos brincos, que são grandes, mas não exagerados", disse a diretora da empresa, Maria Tereza Geo Rodrigues, que participou da feira do Barhein pela terceira vez.
Segundo ela, a empresa não desenvolve nenhum trabalho para o mercado externo. "Nosso foco é varejo no Brasil, mas os países árabes são um mercado no qual vale a pena investir", disse Maria Tereza, que só vende para a região durante as feiras. A participação das empresas brasileiras nas feiras foi organizada pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).
As exportações brasileiras do setor somaram US$ 913,5 milhões de janeiro a outubro deste ano, o que representou um aumento de 47% em relação ao mesmo período de 2005, segundo dados do IBGM. Este ano a meta é alcançar US$ 1 bilhão. No ano passado, os Emirados foram o oitavo maior destino das jóias nacionais. O Brasil faturou US$ 8,9 milhões com exportações para o mercado árabe, com crescimento de 17% sobre 2004.

