Geovana Pagel
São Paulo – Cerca de 170 cavalos árabes vão participar da Semana Nacional do Cavalo. A 1ª Expo Árabe será a principal atração do sábado (22), último dia do evento, no Parque de Exposições da Granja do Torto em Brasília. A Semana é promovida pela Comissão Nacional do Cavalo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Câmara Setorial da Eqüideocultura, que faz parte do Conselho do Agronegócio (Consagro) do Ministério da Agricultura.
De acordo com o presidente do Núcleo do Cavalo Árabe da Região de Brasília, Newton Augusto Sabaraense, serão realizadas provas de halter (análise do corpo e do comportamento do cavalo), liberdade (análise dos movimentos naturais do cavalo solto), melhor cabeça (cavalo que tem olhos grandes, chanfro – que é a curvatura da testa – acentuado e orelhas pequenas), progênie de pai (animal que tem a maior semelhança com o pai), progênie de mãe (animal que tem a maior semelhança com a mãe) e, ainda, de melhor traje típico (cavalo e cavaleiro com a melhor roupa típica árabe).
As provas do enduro vão ocorrer a partir das 11h da manhã e o julgamento será feito por um juiz oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Árabe (ABCCA). "Entre o enduro e os animais que farão parte da exposição teremos cerca de 170 cavalos", disse Sabaraense. Os cavalos árabes são de criadores de Brasília, Anápolis, Goiânia e Uberlândia.
A montaria de Dom Pedro
Apesar do primeiro registro oficial de cavalo árabe no Brasil ser de 1929, a presença da raça no país é bem anterior. No primeiro volume do Registro Genealógico do Cavalo Árabe, produzido pela ABCCA, consta a informação de que Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil no dorso de um cavalo árabe.
Hoje o Brasil tem cerca de 9 mil criadores de cavalo árabe, mais de 18 mil usuários e um plantel superior a 49 mil animais em 3,5 mil haras. Apontada como uma das melhores do mundo, a produção nacional da raça tem recebido uma crescente atenção de compradores e investidores estrangeiros.
O país exporta cavalos árabes para países da América do Sul, América do Norte, Europa, Austrália e inclusive para o Oriente Médio. "O puro sangue árabe é o único cavalo que reúne, em virtude de suas características, a possibilidade de realizar funções variadas e ser utilizado em atividades esportivas, no trabalho no campo, ou em práticas de lazer", destaca Sabaraense.
A Semana
A Semana Nacional do Cavalo foi aberta oficialmente neste domingo (16). Durante a semana serão realizadas apresentações de mais de 300 cavalos de raça (Appaloosa, Árabe, Campolina, Crioulo, Mangalarga Marchador, Mangalarga, Paint Horse, Pampa, Piquira, Pônei e Quarto de Milha), no Centro Hípico do Parque da Cidade, em Brasília. Ao todo, serão sete dias de atividades.
Além das exposições de cavalos pertencentes aos criadores filiados aos núcleos e associações sediadas no Distrito Federal, haverá cursos de formação profissional pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para tratadores de cavalo.
De acordo com o presidente da Comissão Nacional do Cavalo da CNA, Pio Guerra, a Semana Nacional do Cavalo, objetiva fortalecer a importância da criação e comercialização de eqüinos no país, detentor do terceiro maior rebanho do mundo, com 5,9 milhões de cavalos, perdendo apenas para China e México.
Desse total, a maior concentração está na região sudeste, com 1,58 milhão de cabeças, em virtude da intensa atividade agropecuária, especialmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Na seqüência, estão as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte.
Segundo Guerra, o Brasil se destaca como criador de raças tradicionais e internacionalmente reconhecidas, ao mesmo tempo em que usa a força do cavalo para colaborar com o desenvolvimento da produção primária da agropecuária. "Há um total desconhecimento sobre a importância que o cavalo teve e tem na história do homem e do desenvolvimento do país. É preciso reconhecer e valorizar esse fato", ressalta Pio Guerra.
Ele lembra que o Brasil depende do cavalo para manejar o maior rebanho de bovinos do mundo. Além disso, ressalta Pio Guerra, a eqüideocultura ganha espaço em outras atividades, como lazer, turismo rural, ecologia, terapia e esportes.
Para dezembro, o setor aguarda com expectativa um estudo encomendado pela Comissão Nacional do Cavalo ao Centro de Estudos e Pesquisa em Economia Aplicada da Esalq/ USP. O trabalho, intitulado Estudo do Complexo do Agronegócio Cavalo, já está em andamento desde março desse ano.
Serviço:
Semana Nacional do Cavalo
De 16 a 22 de outubro
Centro Hípico do Parque da Cidade e Parque de Exposições da Granja do Torto – Brasília
Entrada franca
Programação completa:
http://www.cna.org.br/cna/publicacao/noticia.wsp?tmp.noticia=7295

