São Paulo – O grupo de países emergentes Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, anunciou nesta quinta-feira (05) que irá criar um fundo de US$ 100 bilhões. O Arranjo de Contingente de Reservas (CRA) poderá ser usado pelas nações do bloco em momentos de dificuldades e também tem o objetivo de estabilizar o mercado de câmbio nessas nações. As moedas do Brics estão perdendo valor desde que os Estados Unidos anunciaram que vão reduzir os estímulos à economia e, em consequência, tirar dólares do mercado.
A divulgação do fundo foi feita antes do começo da 8ª Cúpula do G-20, grupo das maiores economias mundiais desenvolvidas e emergentes, em São Petersburgo, na Rússia. De acordo com nota divulgada pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores do Brasil, o CRA terá um montante de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 41 bilhões serão aplicados pela China. Brasil, Rússia e Índia irão se comprometer em colocar, cada um, US$ 18 bilhões. A África do Sul irá contribuir com US$ 5 bilhões.
A proposta de criação do CRA foi aprovada em março deste ano, durante a 5ª reunião de cúpula do Brics, que foi realizada em Durban, na África do Sul. Desde então, afirma a nota divulgada pelos ministérios, “alcançou-se consenso sobre muitos aspectos-chave e detalhes operacionais” relacionados à criação do CRA.
O Brics não determinou, contudo, quando o fundo estará disponível. O vice-ministro das Finanças da Rússia, Sergei Storchak, afirmou à Reuters que os detalhes sobre a criação do CRA ainda não foram acertados pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e pelos presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, China, Xi Jinping, África do Sul, Jacob Zuma, e o anfitrião da cúpula do G-20, Vladimir Putin.
Desde que o Banco Central dos Estados Unidos, o Fed, anunciou que irá começar a retirar os estímulos à economia norte-americana, a cotação do dólar passou a subir, principalmente em relação às moedas dos países em desenvolvimento. Até agosto, a moeda norte-americana se valorizou em 16,5% ante o real. Em agosto, o Banco Central do Brasil passou a fazer leilões diários de dólar para tentar conter a valorização da moeda. Às 14h27 desta quarta-feira a moeda era cotada a R$2,332, com baixa de 1,06% em relação ao fechamento do dia anterior.
No mesmo comunicado, o Ministério da Fazenda e o Itamaraty afirmam que o Brics “avançou” em outra proposta discutida em Durban: a criação de um banco de desenvolvimento para financiar projetos nos países do grupo. “Com relação ao Banco, houve avanços nas negociações relativas à sua estrutura de capital, composição, participação acionária e governança. O Banco contará com capital inicial subscrito pelos países do Brics de US$ 50 bilhões.”


