Isaura Daniel
São Paulo – O café brasileiro será tema de um documentário de Lorenzo di Bonaventura, ex-presidente mundial de produção da Warner Bros., sob a batuta de quem foram realizadas superproduções como Matrix e Harry Potter. O médico Darcy Lima, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi convidado por Bonaventura para ser o conselheiro científico de um documentário que vai falar sobre o café, o Brasil e a saúde. Lima coordena um projeto chamado Café e Saúde do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo, que tem por objetivo pesquisar os efeitos do café na saúde humana.
O médico vai aos Estados Unidos no mês de março do próximo ano para discutir os detalhes da produção. O filme será rodado pela Science Film, produtora de filmes científicos de Bonaventura. Além de contar a história do café, o documentário vai falar dos benefícios da bebida, justamente a linha de pesquisa de Darcy Lima. O Ministério da Agricultura brasileiro, que também vem desenvolvendo uma campanha para estimular o consumo de café, recebeu proposta de apoiar a produção, mas ainda não deu uma resposta sobre o tema.
"O café não é só cafeína, tem substâncias saudáveis", diz Lima. De acordo com o pesquisador, entre outros benefícios, a bebida ajuda a inibir o consumo de álcool, a depressão, a cirrose, o câncer de cólon e a prevenir a diabetes. O trabalho de Lima foi descoberto por Bonaventura quando o médico fez o projeto de criação do Instituto de Estudos do Café para a Universidade de Vanderbilt, do Tennessee nos Estados Unidos, há sete anos. Como a Science Film é subsidiária da editora Wilson Devereux LLC, o tema deve ser transformado também em livro.
Lima afirma que o documentário será exibido em salas de cinema de todo o mundo. A produção deve beneficiar diretamente o Brasil, que é o maior produtor mundial de café e exporta cerca de 25 milhões de toneladas ao ano. A produção total do país é de cerca de 40 milhões de toneladas por safra.
O Conselho Deliberativo da Política do Café, órgão mantido pelo Ministério da Agricultura com a participação do setor privado, está realizando uma série de ações para que o consumo nacional cresça e também para que o país ganhe mercado lá fora. "No Brasil são consumidas 14 milhões de sacas ao ano, mas o nosso objetivo é chegar a 15 milhões de sacas", diz o coordenador-geral de Planejamento do Departamento do Café do ministério, Lucas Tadeu Ferreira.
Neste segundo semestre, o grupo gestor de marketing do Conselho desenvolveu, por exemplo, a produção de uma peça publicitária de 60 segundos chamada "Café ao ritmo do Brasil". A peça, que será veiculada primeiro nas televisões brasileiras e depois em outros países, associa o consumo do café à juventude.
Também foi produzido um filme de 15 minutos mostrando a produção brasileira de café despolpado, um dos tipos mais finos de café. Cerca de 500 CD-Roms foram enviados a importadores dos Estados Unidos no mês de outubro. Até o final do ano terão sido gastos R$ 4 milhões com ações de marketing. Os recursos são do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). No próximo ano devem ser gastos R$ 8,4 milhões, de acordo com Ferreira.
Também estão sendo veiculados pelo canal fechado de televisão "Conexão Médica", de São Paulo, programas sobre os efeitos do consumo do café na saúde humana. Os programas chegam a cerca de 40 mil profissionais da saúde da América Latina e Europa. Ferreira diz que um dos maiores entraves ao consumo do café é justamente a comunidade médica, que atribui ao café diversos problemas de saúde dos pacientes.
Mercado e exportação
Os Estados Unidos são hoje o maior mercado mundial de café e consomem 18 milhões de sacas ao ano. O mercado norte-americano, porém, é dominado pela Colômbia, também grande produtora do grão. Na lista de destino das exportações brasileiras de café, os EUA figuram como segundo maior destino. As exportações para os norte-americanos, porém, estão diminuindo. Entre janeiro e outubro deste ano, as vendas caíram 19,48% se comparadas ao mesmo período de 2003. Os norte-americanos importaram 3,9 milhões de sacas de café do Brasil nos dez primeiros meses do ano passado e 3,2 nos mesmos meses de 2004.
A Alemanha, porém, que é a maior importadora, aumentou suas compras em 13,36%. Como um todo, as exportações brasileiras de café caíram 1,82% no período em volume, mas aumentaram 27,3% em receita, de acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). Já em outubro, as vendas aumentaram 8,3% em volume e 31% em receita.

