Da redação
São Paulo – Uma das decisões da 2ª Conferência Mundial do Café, que ocorreu neste final de semana em Salvador, na Bahia, foi a de estimular o consumo do produto. Na avaliação dos participantes, essa é a melhor estratégia para trazer maior equilíbrio à cadeia produtiva e aumentar a renda dos cafeicultores, que ganham muito pouco em comparação com o preço final do café vendido ao consumidor.
Para que haja um aumento da demanda por café nos mercados tradicionais, foi discutida na conferência a necessidade de se lançar novos produtos e realizar programas institucionais, como o projeto "Café e Saúde". Já nos novos mercados, na opinião dos participantes, é preciso apresentar um preço acessível e mostrar o café solúvel como alternativa. Eles também discutiram a necessidade de se aumentar o consumo dentro dos próprios países produtores.
De acordo com o ministro da Agricultura e presidente da conferência, Roberto Rodrigues, os países produtores devem agregar valor ao produto. Um meio para isso seria a industrialização do café nesses países, já que o produto industrializado tem um preço maior que a matéria-prima.
Entre outros assuntos ainda foi discutida a importância do uso de tecnologias modernas para previsão de safras, controle de estoques e projeção de demanda. As propostas apresentadas durante a Conferência Mundial do Café serão analisadas esta semana pelo Conselho da Organização Internacional do Café (OIC).
A 2ª Conferência Mundial de Café, que teve início no sábado (23), contou com 1,1 mil inscritos, sendo 486 estrangeiros de 65 países. O evento foi promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em parceria com a OIC e foi organizado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia.
Brasil
Rodrigues afirmou na conferência que o país pretende manter a sua participação de 40% no mercado mundial de café e defendeu a criação de mecanismos para ordenar o fluxo de safras. A produtividade brasileira atual é de 15 sacas por hectare e a idéia é aumentar para 20 sacas. Segundo o ministro, a expectativa é que a demanda mundial passe dos 115 milhões de sacas anuais para 130 milhões em 2010.
De acordo com ele, o Brasil vai chegar ao início da próxima colheita, em abril de 2006, com os mais baixos estoques de café das últimas décadas. A demanda pelo produto brasileiro gira em torno de 42 milhões de sacas anuais, sendo 27 milhões para o mercado externo e 15 milhões para o consumo interno.
Na abertura do evento, o presidente Luis Inácio Lula da Silva disse que é importante agregar valor aos produtos e estabelecer acordos no elo da cadeia produtiva, para que se tenha uma discussão mais justa sobre os ganhos de cada um sobre o valor do produto final. "Não é possível que países que não produzem um grão de café ganhem mais em café do que os países que produzem café. Isso só existe, porque de certa forma, nós ficamos passivos diante dessa situação", afirmou.

