Novo Hamburgo (RS) – O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados, com 800 milhões de pares por ano, superado apenas pela índia, com 900 milhões, e pela China, com 9 bilhões, mas a crise econômica mundial enfraquece o calçado brasileiro, que, ainda por cima, sofre com a forte concorrência dos importados chineses.
O resultado é uma redução nas vendas externas brasileiras, que; no primeiro quadrimestre do ano; caíram 26,5% na quantidade de pares vendidos, embora o país se mantenha também como o quinto maior exportador mundial, com 165 ,5 milhões de pares comercializados no ano passado.
O Brasil só perde em volume de exportações de pares de calçados para a Itália (200 milhões), Vietnã (500 milhões), Hong Kong (700 milhões) e China (7 bilhões). A queda nas exportações brasileiras tem consequências sérias para o maior polo calçadista do país, o do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que vem perdendo empresas, postos de trabalho e faturamento.
É no Vale dos Sinos que se concentra o maior número de fábricas de sapatos do país, desde as mais artesanais até as grandes indústrias, que calçam milhões de brasileiros de Norte a Sul. O calçado feminino é o forte dessa indústria, principalmente em Novo Hamburgo, que ainda hoje, apesar das perdas dos últimos anos, se considera "capital nacional do calçado". Na região estão instaladas 80% das fábricas de máquinas para produção de calçados e 60% das produtoras de componentes (fivelas, tiras e outros).
A importância da produção de calçados é enorme, não apenas para a região do Vale dos Sinos, mas para a economia do Rio Grande do Sul em particular: No ano passado, o estado exportou 51,5 milhões de pares, o equivalente a 31% do que o Brasil vendeu no exterior, e arrecadou US$ 1.117,7 bilhões, ou 59,4% do total obtido pelo país no mercado externo com as vendas de sapatos nacionais. Em 2007, havia, no Estado, 2.755 empresas calçadistas (35,2% do país), com 111.966 empregados (37% do setor no Brasil)
O faturamento despencou no Brasil: foram obtidos pelos exportadores brasileiros US$ 469 milhões contra US$ 646,5 milhões de janeiro a abril do ano passado, uma redução de 27,4% nas vendas externas de calçados. Por isso, o diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, não esconde a o temor do setor com a situação: "Estamos muito preocupados com o desempenho no mercado externo, que não mostra sinais de reação positiva".
Uma preocupação que se justifica, embora seja do mercado interno, é que a indústria de calçados brasileira obtenha seu maior volume de vendas, com 70 % do que produz vendido no território nacional. O problema é que a invasão chinesa no setor de calçados está fazendo a indústria brasileira perder mercado dentro do próprio país, o que já virou caso de briga jurídica, com um processo por dumping (concorrência desleal) aberto pela Abicalçados no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

