São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Associação Egípcia de Desenvolvimento de Negócios (EBDA, na sigla em inglês) firmaram um acordo de cooperação na área de inteligência de mercado para setores como energia, construção e infraestrutura. A assinatura aconteceu nesta quarta-feira (08), na sede da entidade, durante a abertura de uma rodada de negócios entre empresas do Egito e do Brasil.
“Os empresário egípcios almejam estreitar a relação com o Brasil e procuram os contatos diretos com a comunidade empresarial, com os responsáveis pelos investimentos no país através desse acordo assinado hoje com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira”, declarou Hassan Malek, presidente da EBDA. Malek lidera a delegação de 22 empresários que acompanham a visita do presidente do Egito Mohamed Morsi ao Brasil.
“O Egito é um dos maiores parceiros do Brasil”, destacou Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe. “A Câmara está fazendo todos os esforços para aumentar as importações brasileiras do Egito”, afirmou.
Segundo Malek, para os empresários egípcios, os números da balança comercial entre os dois países “não são aceitáveis”. “As exportações egípcias para o Brasil não ultrapassam US$ 250 milhões, enquanto as exportações brasileiras para o Egito chegam a US$ 2,8 bilhões”, lembrou. “Temos um projeto nacional específico para o canal de Suez, há grandes projetos de investimentos em Suez, para a indústria naval principalmente. Temos várias oportunidades para cooperação e investimentos entre os dois países”, disse.
De acordo com o presidente da EBDA, o Egito tem projetos e oportunidades de investimentos em setores como infraestrutura, petroquímica, estradas de ferro, energia elétrica, portos, agricultura e pecuária. “Temos planos de investimentos novos elaborados por um novo governo e temos certeza que as empresas brasileiras podem se beneficiar desses projetos e planos e participar ativamente da sua execução”, ressaltou.
Malek afirmou que “o presidente Morsi apoia os empresários, apoia as parcerias público-privadas, incentiva investimentos internos de empresários egípcios no Egito e investimentos estrangeiros no país também”. “Hoje estamos elaborando leis para incentivar investimentos internos e externos, leis sobre transparência, boa governança, oferecemos facilidades tributárias aos investimentos estrangeiros. Estamos abrindo o Egito para todos”, completou.
Também participaram da abertura da rodada de negócios o vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, Helmi Nassr, e o chefe do escritório comercial do Egito em São Paulo, Alaa El Din Radwan.
Frutas brasileiras
Uma dos maiores exportadoras de frutas e vegetais do Egito, a Magrabi Agriculture vai fechar um contrato com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Por esse contrato vamos levar ao Egito alguns dos nossos materiais de pessegueiro e ameixeira para testar e ver se desenvolve bem lá, para a gente fazer então uma parceria para produção não só aqui no Brasil como lá fora também”, revelou Ana Paula Vaz, pesquisadora da Embrapa, que participou dos encontros na Câmara Árabe. Vaz conta que o contrato será assinado na quinta-feira (09) e o material será levado ainda este ano para o Egito. A produção das frutas deve começar em dois anos.
“A Embrapa é um dos maiores centros de pesquisa e é muito conhecido no Egito, e eles estão criando muitas variedades de frutas que podem ser plantadas em nosso país. É muito vantajoso ter as novas variedades brasileiras no Egito”, afirmou Abdel Hamid Demerdash, diretor-gerente da Magrabi.
Segundo Demerdash, a principal vantagem do acordo com a Embrapa é ter acesso a novas variedades, como frutas mais doces ou que cresçam em um tempo menor que o comum. “O Egito tem muito interesse em ter novas variedades de frutas para poder exportá-las para a Europa e outros países”, explicou.


