São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira promove a palestra Economia Brasileira: Perspectivas para 2016, no dia 28, das 9h30 às 11h30, em sua sede na capital paulista. No evento, Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, falará sobre quais podem ser os rumos econômicos do País nos próximos doze meses. A Câmara Árabe irá também divulgar seu calendário de eventos para o ano.
Em conversa com a reportagem da ANBA, Latif, que é doutora em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o retrato econômico para 2016 é bastante negativo.
“Temos uma recessão que começou em 2014 e se aprofundou no ano passado. O governo não fez o ajuste fiscal e, com isso, o País perdeu grau de investimento, os juros aumentaram”, apontou.
Para ela, a falta do ajuste fiscal trouxe um cenário recessivo para 2016. “É recessão em cima de recessão. É um quadro que não é normal. É uma crise com cara de depressão”, avaliou Latif.
Segundo ela, as perspectivas para 2016 são muito preocupantes, já que “o País dá sinais de desancoragem da inflação”, trazendo de volta a memória dos anos de superinflação da década de 1980. “A gente corre o risco de não ter desinflação em 2016. O quadro é muito preocupante. É um quadro inédito para o período democrático”, afirmou.
A economista diz que este ano deverá servir como teste para as instituições nacionais e para testar a maturidade do País. “As autoridades precisam dar um basta e precisam arrumar a casa. Tenho medo de ficarmos como a Argentina dos últimos anos”, destacou.
Oportunidades
Com o mercado interno com expectativas pouco promissoras, o mercado externo acaba se tornando uma boa saída para os empresários. É o que avalia Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe.
“Espero que com a desvalorização cambial e com a recessão interna, os empresários visualizem as exportações como alternativa válida e interessante para a sustentabilidade das empresas”, disse Alaby. “Os países árabes são uma das alternativas viáveis para esses exportadores. Estes países consomem mais de US$ 1 trilhão em importações. Só de alimentos são mais de 80 bilhões”, apontou.
De acordo com o executivo, além do setor alimentício, o Brasil pode desenvolver suas vendas aos árabes nos setores de calçados, cosméticos e máquinas agrícolas, entre outros.
É para destacar as oportunidades que existem no mercado do Oriente Médio e Norte da África que a Câmara Árabe vai mostrar aos empresários seu calendário de atividades para 2016. Feiras, missões e exposições fazem parte do cronograma.
Segundo Alaby, a ideia para este ano é que sejam realizados eventos que envolvam os diferentes países árabes. Vale lembrar que, apesar de nações como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita estarem sempre entre os mais conhecidos pelos brasileiros, a Liga Árabe reúne 22 países.
De acordo com Alaby, já está na agenda da entidade a realização de dois fóruns econômicos em São Paulo, um Brasil-Omã e um Brasil-Catar, a montagem de uma exposição cultural sobre o Kuwait, também na capital paulista, e uma exposição cultural de diversos países árabes em Brasília.
Na Gulfood, maior feira de alimentos do Oriente Médio, que ocorre de 21 a 25 de fevereiro, a Câmara Árabe contará com um espaço exclusivo. “Vamos ter um escritório de apoio aos associados, o que não tínhamos anteriormente. Será um escritório no mezanino da feira, que servirá como ponto de apoio para os associados se reunirem com os importadores”, explicou.
De acordo com o diretor-geral, este ano a entidade deve receber ainda uma missão comercial das Ilhas Comores e está trabalhando para promover a vinda de missões do Djibuti e Somália ao Brasil.
Serviço
Palestra Economia Brasileira: Perspectivas para 2016 e apresentação do Calendário de Atividades da Câmara Árabe
Dia 28 de janeiro, das 09h30 às 11h30
Local: Espaço Câmara Árabe
Avenida Paulista, 326, 11º andar, Bela Vista São Paulo
Evento exclusivo para associado
As inscrições são gratuitas e as vagas são limitadas
Inscrições e mais informações com Natalie Garcia pelo telefone (11) 3147-4073 ou pelo e-mail ngarcia@ccab.org.br


