São Paulo – A Agência Nacional de Promoção de Comércio Exterior da Argélia (Algex) quer apoio para a participação de empresas argelinas em feiras de negócios no Brasil. Em contrapartida, a entidade oferece auxílio para a participação de companhias brasileiras em rodadas empresariais e encontros de negócios no seu país. O assunto foi um dos temas do encontro realizado nesta terça-feira (24), entre o CEO da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e a diretora de Estratégias e Programas de Promoção Comercial da Algex, Naima Zertal.
Durante o encontro, que também contou com a presença de Sérgio Florêncio, ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil em Argel, foram discutidos pontos do acordo de cooperação que será assinado entre os dois países durante a realização da reunião da comissão mista governamental Brasil-Argélia, que deve acontecer em setembro ou outubro deste ano, no país árabe.
"Os termos do acordo já estavam definidos", conta Alaby. "O encontro serviu para abordar aspectos para a reunião da comissão mista", complementa. "Entre os assuntos que queremos discutir está questão de barreiras que existem dos dois lados, sejam elas tarifárias ou não tarifárias", conta, referindo-se ao comércio entre Argélia e Brasil. Alaby foi convidado para participar como observador da reunião da comissão mista.
"Vamos conversar, também na comissão mista, sobre a possibilidade de formatarmos um acordo Mercosul-Argélia". O tema já havia sido discutido em 2008, mas um acordo nunca foi assinado. Segundo Alaby, os principais produtos que o Brasil tem interesse em promover no mercado argelino são alimentos, móveis, cosméticos, máquinas e equipamentos agrícolas em geral, autopeças e material de embalagens. Já a Argélia, diz o CEO, quer exportar tâmaras, azeite de oliva, azeitonas, vinhos e alcachofra.
Carne bovina
Ainda na terça-feira, Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que participa da feira de alimentos e máquinas agrícolas Djazagro, em Argel, reuniu-se com dois representantes do Ministério da Agricultura argelino, Abass Rachid, diretor da área sanitária, e Abdo Mohamed, chefe-sanitário.
A reunião abordou as exportações brasileiras de carne para a Argélia, como conta Tamer Mansour, executivo de Relações Governamentais da Câmara Árabe, que acompanhou o encontro. "A qualidade da carne brasileira é indiscutível, melhor que a da Índia, mas estamos perdendo para a Índia por causa do preço. A Abiec prometeu fazer um esforço para tentar aproximar [reduzir] os preços", relata Mansour.
No encontro também ficou definido que a Abiec apresentará um estudo, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para comprovar que o fígado de boi do Brasil pode ser exportado com validade de 80 dias. Atualmente, o produto é vendido com validade de 50 dias, o que impossibilita sua exportação para a Argélia, devido aos prazos de transporte e distribuição.

