Alexandre Rocha
São Paulo – O estande da Câmara de Comércio Árabe Brasileira na Feira Internacional de Cartum, capital do Sudão, recebeu visitas de cerca de 180 empresários interessados em desenvolver negócios com o Brasil. A mostra começou no dia 01 deste mês e terminou na sexta-feira (10). Foi a primeira participação da Câmara e do Brasil no evento.
De acordo com o coordenador de operações da entidade, Rodrigo Solano, que esteve na feira, os empresários sudaneses demonstraram principalmente interesse por importar máquinas agrícolas, alimentos em geral e leite em pó. Chamaram a atenção também os produtos das duas empresas brasileiras que enviaram representantes à feira: a Plasvale, que fabrica utensílios de plástico, e a indústria de laticínios Tirolez.
Na cerimônia de encerramento, o diretor-geral da feira, Abdel Aal Abdel Gadir, disse que o evento, por seu caráter internacional, oferece oportunidades de desenvolvimento para o Sudão e países vizinhos. Ele agradeceu a participação do Brasil e acrescentou que espera novamente a presença do país na edição de 2007.
Paralelamente à feira, Solano e o assistente de desenvolvimento de mercados da Câmara, Caio Flávio de Noronha Raimundo, pesquisaram o mercado local. Eles identificaram, por exemplo, grandes empresas com potencial para se tornar importadoras de mercadorias brasileiras.
Entre elas está a Giad, importadora e montadora de veículos, que importa autopeças, automóveis, caminhões e ônibus; a Elie, que importa e produz produtos farmacêuticos, cosméticos e alimentos; e o Dal Group, que importa alimentos em geral e, segundo Solano, está muito interessado na compra de leite em pó. "O Dal Group é uma grande empresa sudanesa, responsável pela distribuição da Coca-Cola no país e que tem inclusive uma marca própria de iogurtes, chamada Capo", afirmou Solano.
Os representantes da Câmara visitaram também o comércio local para verificar quais são os produtos comercializados e os preços. No varejo viram televisores coreanos e japoneses, fogões turcos e italianos, frango produzido localmente, carne bovina, peixe enlatado do Egito, leite em pó da Nova Zelândia, entre outros.
Outro setor que se apresenta como promissor no país é o de construção civil. Há grande demanda por habitação e obras de infra-estrutura, ao passo que a descoberta de petróleo, aliada à valorização da commodity, tem impulsionado o crescimento da economia sudanesa.
A participação do Brasil na feira de Cartum ocorre num momento em que as exportações brasileiras para o Sudão têm crescido de forma acentuada. No ano passado os embarques renderam US$ 69,3 milhões, um aumento de 41,6% em comparação com 2004. "O Brasil é pouco conhecido no Sudão e é preciso investir no marketing para se consolidar no mercado", disse Solano.

