Marina Sarruf
São Paulo – Os empresários egípcios que estão participando da Hospitalar, maior feira de produtos médicos e hospitalares da América Latina, em São Paulo, querem assinar um acordo de cooperação com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira para viabilizar o licenciamento de alguns produtos do setor. "Vamos estudar uma parceria junto com o escritório comercial do Egito para dar um suporte aos exportadores", afirmou o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr. Segundo ele, o acordo deverá ser assinado até sexta-feira (23), término da feira.
De acordo com Sarkis, os produtos do setor médico e hospitalar do Egito têm qualidade e preço competitivo, principalmente os descartáveis. No total, 16 empresas egípcias estão expondo na feira, que começou ontem (20). Entre os produtos expostos estão: medicamentos fitoterápicos, seringas, máscaras e tocas cirúrgicas, curativos, cateteres, equipamentos ortopédicos, para cardiologia, urologia, diálise, diagnósticos por imagem e reagentes para exames laboratoriais.
Para o chefe da delegação egípcia, Sherif Ezzat, o melhor caminho para os produtos do país árabe entrarem no mercado brasileiro é através de um distribuidor. Após essa parceria é necessário licenciar os produtos e equipamentos segundo as normas da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Queremos também o apoio da Câmara Árabe para promover nossos produtos no Brasil", disse.
Ontem, o estande egípcio, que tem 205 metros quadrados, foi visitado pelo embaixador egípcio no Brasil, Mohamed Abdel Fattah Abdalla, o cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakri Agami, o vice-presidente de relações internacionais da Câmara Árabe, Helmi Mohammed Ibrahim Nasr, além do Sarkis. "Essa é a primeira vez que uma delegação egípcia do setor médico hospitalar participa de uma feira no Brasil. É um bom começo para aumentar as exportações egípcias para cá", afirmou Abdalla.
No primeiro dia de feira, os empresários egípcios fizeram mais de 30 contatos comerciais. "Fizemos contatos muito positivos. Esperamos arrumar um distribuidor", disse o gerente de qualidade da N.I.D Medical Co., Mohamed Baz. A empresa produz cremes e gels para eletrodos, rolo de papéis para exames, cânulas e agulhas específicas para exames.
Outro empresário que ficou satisfeito com o primeiro dia da feira foi o gerente comercial da Ameco, Ahmed H. Wahby. A empresa é a maior fabricante de seringas descartáveis do Oriente Médio, tem uma produção mensal de 12 milhões de seringas. "Até agora exportamos para sete países africanos e Arábia Saudita. Queremos entrar no mercado latino americano e escolhemos começar pelo Brasil", afirmou.
De acordo com Wahby, cerca de 20% da produção é exportada. A empresa tem planos de abrir uma nova fábrica no Egito só para atender o mercado externo. No início devemos produzir quatro milhões de seringas por mês e após dois anos ampliar para 15 milhões. "Para isso procuro um distribuidor no Brasil que possa nos ajudar a registrar os nossos produtos", disse.
Segundo Wahby, os brasileiros têm uma boa relação de amizade com os árabes, o que facilita as negociações. "Não me sinto fora do Egito", afirmou. O empresário ficou impressionado com a quantidade de descendentes de árabes no país, que são mais 10 milhões. A Ameco foi fundada em 1986 e emprega 400 funcionários.
13ª edição
A Hospitalar, feira internacional de produtos, equipamentos, serviços e tecnologia para hospitais, laboratórios, clínicas e consultórios, é a maior feira multissetorial de saúde da América Latina e a segundo maior do mundo. São mil expositores de 32 países, entre os árabes, além do Egito, está um expositor dos Emirados Árabes Unidos, que veio promover uma conferência internacional de cuidados médicos e diagnósticos, que vai ser realizada entre os dias 22 e 24 de abril de 2007, em Dubai.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Djalma Rodrigues, as exportações do setor no ano passado somaram US$ 398,5 milhões contra US$ 317,8 milhões em 2004.

