São Paulo – O diretor do Departamento de Relações Internacionais da Câmara de Comércio e Indústria de Dubai, Hassan Al Hashemi, propôs ontem (01), à diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, durante reunião em São Paulo, a realização de um fórum empresarial Dubai-São Paulo. O projeto foi prontamente aceito pelos diretores da Câmara Árabe presentes.
A idéia, de acordo com ele, é fazer um evento semelhante ao que a Câmara de Dubai promoveu em parceria com a cidade de Hamburgo, na Alemanha. Foram identificados setores com grande potencial de negócios nas duas cidades e realizados dois encontros, um em Hamburgo e outro em Dubai, com foco nesses segmentos.
No caso do fórum já realizado, as áreas escolhidas foram saúde, logística, energia, bancos e finanças e mídia. “Focamos em setores com potencial de crescimento e que podiam propiciar transferência de know-how”, afirmou Hashemi. Após as duas reuniões anuais, foram realizadas missões comerciais específicas para cada setor.
Hashemi declarou que um dos objetivos de sua visita ao Brasil era justamente começar a organizar a vinda de uma delegação de empresários de Dubai. “E qual o melhor parceiro? Consideramos vocês um parceiro muito importante”, afirmou ele, referindo-se à Câmara Árabe.
O executivo ressaltou que as empresas brasileiras têm presença cada vez maior em eventos de negócios no emirado, e está na hora das companhias de Dubai fazerem o mesmo no Brasil.
As duas entidades se comprometeram em trocar estudos econômicos sobre as respectivas cidades, com o objetivo de identificar os setores com maior potencial para negócios bilaterais, e a estudar possíveis datas para o fórum. A intenção é fazer o primeiro encontro já em 2010.
Hashemi, mais a executiva sênior de Relações Internacionais da Câmara de Dubai, Maysa Humadi, o vice-presidente de Vendas da Zona Franca de Jebel Ali (Jafza, na sigla em inglês), Mohammad Al Banna, e o gerente de Vendas para a Europa da Jafza, Mansoor Al Bastaki, vieram a São Paulo também para participar de um seminário sobre oportunidades de negócios em Dubai.
A conferência foi realizada ontem no World Trade Center e foi organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), com apoio da Câmara Árabe. De acordo com Hashemi, o comparecimento foi grande e houve muito interesse dos empresários brasileiros nas informações sobre Dubai.
Comércio voltou a crescer
Ele afirmou que foi questionado sobre a moratória da Dubai World, holding que controla uma série de empresas no emirado, e respondeu que houve exagero na repercussão da questão. “Não é nossa primeira crise”, afirmou. Ele lembrou que mais de uma centena de empresários brasileiros estiveram na Big 5 Show, feira da construção civil que ocorreu em Dubai na semana passada, como expositores ou como visitantes.
Hashemi recomendou para quem tiver dúvidas sobre o potencial de negócios no emirado, perguntar sobre a situação aos empresários que estiveram lá recentemente e às companhias que trabalham em Dubai. Ele destacou que a Big 5 atraiu 3 mil companhias de 55 países. “Estava lotada”, declarou.
A crise financeira internacional e mais recentemente a moratória declarada pela Dubai World afetaram principalmente o ramo imobiliário do emirado. Hashemi destacou, porém, que é o comércio exterior que responde pela maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) de Dubai. “Vimos uma redução [do comércio no início da crise], mas agora voltamos ao mesmo patamar do ano anterior”, ressaltou. “Está melhor do que esperávamos”, acrescentou.
O objetivo da participação no seminário, segundo ele, era atrair empresas que possam se utilizar dos serviços oferecidos em Dubai em seus negócios, especialmente a Zona Franca de Jebel Ali, onde algumas companhias brasileiras já estão instaladas e a Apex tem um escritório.
Participaram da reunião com Hashemi o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, os vice-presidentes Wladimir Freua (Comércio Exterior) e Marcelo Sallum (Administrativo), o diretor Tesoureiro, Nahid Chicani, a gerente do Centro de Negócios da Apex em Dubai, Fabiana Giuntini Giffoni, além de outros representantes da agência e da Câmara Árabe.

