Geovana Pagel
São Paulo – Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) está desenvolvendo um programa agressivo de participação em feiras internacionais e qualificação da produção para garantir a presença do crustáceo nas mesas dos consumidores do exterior. “Estamos trabalhando em parceria com a Apex (Agência de Promoção das Exportações do Brasil), que está investindo cerca de R$ 2 milhões na promoção do camarão brasileiro no mercado externo. Queremos mostrar que o Brasil não é apenas o país do futebol”, afirma o presidente da ABCC, Itamar Rocha.
Segundo ele, além do montante que será liberado pela Apex para a participação em feiras internacionais, em dois anos, a ABCC está investindo mais R$ 2 milhões na qualificação e certificação dos produtos. "A Associação aposta muito na qualificação tanto do pequeno quanto do médio e grande produtor para colocar o camarão do Brasil em patamar mais elevado e assim manter os importadores e também conquistar novos mercados”, explica.
Hoje o país ocupa o oitavo lugar no ranking mundial da produção de camarão e tem como principais importadores a França, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Japão e Portugal. Na França, o Brasil é líder absoluto com 28% do mercado.
Após crescer numa velocidade média de 50% ao ano, desde o início da exploração comercial da atividade em 1996, a carcinicultura viveu um ano atípico em 2004. Na comparação com 2003, a produção de camarão registrou queda de 15,84%, saindo de um patamar de 90,19 mil toneladas para 75,9 mil toneladas.
Já a produtividade passou de 6.084 kg por hectare ao ano para 4.573 kg, queda de 24,83%, e as exportações foram reduzidas em 12,4%, caindo de US$ 226 milhões para US$ 198 milhões. A boa notícia é que o número de fazendas nos 14 estados produtores subiu de 905 para 997 e a área cultivada passou de 14.824 para 16.598 hectares.
Para 2005, segundo Rocha, o desafio é garantir pelo menos o faturamento do ano passado, já que o setor se sente inseguro em função da desvalorização do dólar frente ao real. De acordo com Rocha, o setor está fazendo sua parte, implementando programas como gestão de qualidade, rastreabilidade, valor agregado e biossegurança.
Rocha ressalta ainda que é preciso que o setor atue com mais planejamento, conscientização e responsabilidade ambiental. Outra medida que a ABCC quer tomar para contornar as dificuldades do setor é organizar os produtores brasileiros. A diretoria comercial da entidade passará a ter representação em seis estados: Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte.
A idéia é que estes representantes façam análises semanais do mercado – demanda, produção, preços – para que sejam repassadas ao setor e discutidas com outros exportadores a cada intervalo de 30 a 60 dias, em reuniões.
Novos mercados
O presidente da ABCC disse ainda que outro reforço contra os baixos preços das vendas para o exterior poderá vir do governo federal, que será pressionado pelo setor para que não dê continuidade à atual política de desvalorização do dólar. Além disso, a ABCC quer o camarão brasileiro sendo consumido em outros mercados, como Dinamarca, Holanda e Alemanha.
A ABCC
Dos 997 produtores brasileiros de camarão, 400 são associados da ABCC, com sede em Recife (PE), e responsáveis por mais de 80% da produção nacional de camarão.
A carcinicultura é uma relevante alternativa de emprego para as populações mais carentes. O setor, segundo Rocha, tem 95% de pequenos e médios produtores e a região Nordeste responde por 99% das exportações de camarão. Das 52 mil toneladas embarcadas em 2004, apenas 300 não saíram da região.

