São Paulo – Será realizada esta semana, no Cairo, a 40ª Conferência das Câmaras Árabes de Comércio, Indústria e Agricultura com a participação de entidades do mundo árabe e de outras regiões, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira. O tema central do encontro, que ocorre nos dias 29 e 30 na capital egípcia, será “Os desafios do setor privado e dos financiamentos à luz da crise financeira internacional”.
Para o presidente da Câmara Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, que estará no evento acompanhado do secretário-geral da entidade, Michel Alaby, a conferência vai oferecer uma oportunidade de troca de idéias com lideranças empresariais e de governos sobre formas de minimizar os efeitos da crise. “Poderemos saber como está a situação em cada país, e aprender”, disse Schahin.
O encontro terá os seguintes painéis: “A liberalização do comércio e o futuro da indústria árabe”, com participação do ministro da Indústria e Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid; “O papel do setor privado e os desafios do desenvolvimento”, com o ministro egípcio das Finanças, Youssef Boutros Ghaly; “O papel do setor privado na busca da segurança alimentar”, com os ministros da Agricultura do Egito e da Síria, Amin Abaza e Adel Safar; e “O desenvolvimento do transporte comercial”, com o ministro egípcio dos Transportes, Mohamed Mansour.
Segundo Schahin, apesar da crise, as relações do Brasil com o mundo árabe avançam. Na seara das exportações brasileiras, por exemplo, após uma queda nos dois primeiros meses do ano, os negócios voltaram a crescer em março, embora as importações tenham caído por conta da desvalorização do petróleo no mercado internacional e pelo aumento da produção da commodity no Brasil.
Aproximação
Paralelamente à conferência, os diretores da Câmara Árabe Brasileira vão ter reuniões com líderes empresariais e autoridades do Egito. Já nesta terça-feira (28), eles terão um encontro com o ministro Rachid e outro com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa. Durante a semana estão previstas também visitas ao ministro do Petróleo, Sameh Fahmy, e aos presidentes das principais entidades empresariais do país.
Com os ministros, além de agradecer as visitas que ambos fizeram ao Brasil no ano passado, Schahin pretende saber mais sobre a situação do mercado local no cenário atual e discutir oportunidades nas áreas de comércio, investimentos e turismo. “O Egito é o país árabe com a maior população e é sempre um mercado em potencial. Queremos aproveitas as oportunidades comerciais, no setor de turismo – afinal o país é um grande pólo turístico -, aproximar os empresários brasileiros e egípcios e verificar as possibilidades de investimentos recíprocos que podem ocorrer”, afirmou.
Schahin quer explorar também temas como logística, uma vez que, em sua avaliação, o Egito pode ser utilizado por empresas brasileiras como plataforma para atingir outros mercados da África e do Oriente Médio; e o ramo petrolífero, já que o país árabe tem anunciado novas descobertas e companhias do Brasil podem fornecer uma ampla gama de produtos e serviços para o setor. “São contatos justamente para melhorar a conectividade entre os dois países”, declarou.
Com Mussa, os diretores da Câmara Árabe Brasileira pretendem agradecer o apoio recebido no fortalecimento das relações do Brasil com o mundo árabe. O secretário-geral da Liga tem sido um grande incentivador dessa aproximação desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a colocou como uma das metas da política externa brasileira, logo no início do seu primeiro mandato, em 2003.
Nos encontros com lideranças empresariais e de governos, não só no Egito, mas em viagens que já fez e ainda pretende fazer, Schahin procura também se subsidiar de informações para que a Câmara possa auxiliar melhor o trabalho das embaixadas árabes no Brasil.

