Alexandre Rocha
São Paulo – Começa na segunda-feira (03) a reunião anual das câmaras árabes de comércio sediadas fora do mundo árabe, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira. O encontro, que vai até quinta-feira, será realizado em Riad, capital da Arábia Saudita, a convite do Conselho das Câmaras de Comércio e Indústria do país. Entre os temas da pauta está o desenvolvimento do comércio e de projetos conjuntos entre as nações árabes e sul-americanas.
"Há o interesse de se integrar mais os trabalhos das câmaras das duas regiões, algo que teve início com a cúpula dos países árabes e sul-americanos", disse o secretário-geral da Câmara Árabe Brasileira, Michel Alaby, referindo-se à reunião de chefes de estado que ocorreu em Brasília em maio do ano passado.
Alaby vai participar do encontro em Riad e fará uma série de propostas para ampliar as relações entre governos e câmaras. As sugestões foram elaboradas pela entidade brasileira a pedido do secretário-geral da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, Elias Ghantous.
Para os governos foram feitas propostas como a constituição de comissões mistas bilaterais, como o Brasil tem com a Tunísia por exemplo, para reavaliar os tratados já existentes; buscar mais acordos na área comercial, como os que o Mercosul negocia atualmente com o Egito, Marrocos e com as seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã); a assinatura de tratados para evitar bitributação sobre investimentos; a facilitação de emissão de vistos para empresários e turistas; e o intercâmbio de professores e estudantes universitários.
Para as câmaras foram elaboradas sugestões como a preparação de estudos sobre contribuição dos árabes para a civilização e a influência desta cultura na América do Sul; a edição de publicações sobre os países sul-americanos no mundo árabe e vice-versa; uma maior integração dos departamentos de comunicação das câmaras; o incentivo à criação de conselhos empresariais bilaterais; a organização de eventos culturais, gastronômicos e de turismo; e a realização de um programa de feiras e missões comerciais.
"O foco principal são sugestões para promover as relações comerciais, os investimentos, a transferência de tecnologias e as parcerias", afirmou Alaby. Segundo ele, os principais entraves a uma relação mais forte, além da distância e da língua, são a falta de vôos diretos, de linhas marítimas regulares e ainda um desconhecimento de uma região sobre o que ocorre na outra.
Maior comunicação
Neste sentido, ele vai lembrar que dos 367 milhões de habitantes da América do Sul, 18,25 milhões são de origem árabe. Vai falar também sobre indicadores econômicos da região, que reúne 13 países e tem um Produto Interno Bruto (PIB) de U$S 1,4 trilhão. Só no ano passado, as nações sul-americanas exportaram o equivalente a US$ 310,6 bilhões, e importaram US$ 193,2 bilhões. Alaby vai falar também sobre a reunião de ministros da área econômica dos países árabes em sul-americanos, que vai ocorrer em Quito, capital do Equador, nos dias 25 e 26 de abril.
Ele vai lembrar ainda que a Câmara Árabe Brasileira já vem fazendo esforços no sentido de melhorar a comunicação entre brasileiros e árabes, por meio de ações como a criação da ANBA, da edição do livro Novo Mundo nos Trópicos, de Gilberto Freyre, para a o árabe, do lançamento de um dicionário árabe-português, da realização de um documentário sobre a influência árabe no Brasil e da distribuição da tradução do Alcorão para o português feita pelo professor Helmi Nasr, diretor da Câmara, e impressa no Complexo Rei Fahd, na Arábia Saudita.
Entre os palestrantes do encontro de Riad estarão o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Amr Mussa, e o ministro da Indústria e Comércio da Arábia Saudita, Hashem Bin Abdallah Yamani.

