Da redação
São Paulo – A Embraer divulgou na noite de sexta-feira (31) o seu balanço relativo a 2005. A indústria aeronáutica, sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, teve um faturamento de R$ 9,1 bilhões no ano passado, ante R$ 10,2 bilhões em 2004. O lucro líquido ficou em R$ 708,9 milhões em 2005, contra R$ 1,28 bilhão no ano anterior. De acordo com a companhia, os resultados menores foram conseqüência direta da "forte valorização do real frente ao dólar", já que seus produtos e serviços são cotados na moeda norte-americana.
De fato, considerados os resultados em dólar, o faturamento de 2005 foi recorde, chegando a US$ 3,83 bilhões, ou 11,3% a mais do que no ano anterior. O lucro líquido, por sua vez, alcançou US$ 445,7 milhões, um crescimento de 17,2% em comparação com 2004.
A empresa entregou no ano passado 141 aeronaves, contra 148 em 2004. Mesmo com menos aeronaves entregues, o faturamento em dólar cresceu porque, segundo a companhia, foram vendidos mais jatos da família Embraer 170/190, mais caros do que os ERJ 145, que até 2004 eram os campeões de venda.
Os principais fatos de 2005, segundo a empresa, foram a certificação e as primeiras entregas dos jatos regionais Embraer 175 e Embraer 190; e o lançamento dos jatos executivos de pequeno porte Phenom 100 e Phenom 300. A companhia tem atualmente uma carteira de pedidos firmes de US$ 10,4 bilhões.
"A certificação das aeronaves Embraer 175 e Embraer 190 e a realização de importantes vendas de aviões da família Embraer 170/190 foram decisivas para a consolidação destes produtos na América do Norte, América Central, e Europa, como também a abertura dos mercados do Oriente Médio, da Índia e da China", diz nota divulgada pela companhia. "A Embraer conquistou novos clientes em mercados promissores, muito importantes para o crescimento e solidificação dos seus negócios", acrescenta.
A abertura do mercado do Oriente Médio ocorreu com o contrato firmado no ano passado, avaliado em US$ 400 milhões, com a Saudi Arabian Airlines para a venda de 15 unidades do Embraer 170. As entregas começaram em dezembro. No mês passado ela fechou a venda de sete Embraer 195, com preço médio de US$ 35 milhões cada, para a Royal Jordanian.
Em 2005 também, a empresa entregou as primeiras unidades modernizadas do caça supersônico F-5 BR e mais 24 Super Tucano, turboélice de treinamento e ataque leve, para a Força Aérea Brasileira (FAB). Ela fez também a primeira venda externa do Super Tucano, um pedido de 25 unidades feito da Força Aérea Colombiana.
Na área de defesa, porém, a companhia acumulou alguns dissabores, como cancelamento do programa FX do governo brasileiro, que previa a renovação da frota nacional de caças supersônicos; e o cancelamento do fornecimento de aeronaves para o programa Aerial Common Sensor (ACS) das Forças Armadas dos Estados Unidos.

