São Paulo – A associação Unidos pelo Líbano (UPL) realiza no Brasil uma campanha humanitária para ajudar os libaneses diante das dificuldades enfrentadas no contexto da guerra do Oriente Médio. A UPL está arrecadando fundos para comprar alimentos, remédios e cobertores que serão enviados ao Líbano o mais breve possível.
No começo desta semana já somavam 1.039 os mortos no Líbano em função do conflito, além de quase três mil feridos e cerca de um milhão de pessoas deslocadas, segundo dados divulgados pelas autoridades libanesas. Muitas pessoas deixaram suas casas no país, especialmente na região sul, onde Israel realiza fortes bombardeios.
“Eu sou descendente libaneses, sou nascido no Brasil, meus pais eram libaneses, e a gente tem um carinho especial pelo Líbano por ser a pátria dos meus pais. Como todo descendente de libanês, a gente se sente honrado em poder fazer alguma coisa pelo Líbano”, disse para a ANBA o presidente da UPL, Mohamed El Zoghbi.
A UPL foi criada após explosão do Porto de Beirute, em 2020, a partir de grupo de libaneses e descendentes de diferentes religiões que vivem no Brasil e que faziam algumas ações juntos. “Já estávamos trabalhando e aí, após a explosão, veio a ideia de criar uma entidade sem fins lucrativos que pudesse proporcionar, através da comunidade libanesa aqui no Brasil, uma ajuda ao povo libanês”, explica Zoghbi, ressaltando que a UPL não tem cunho político e sim humanitário.
A associação fez apenas uma grande campanha, na época da explosão, mas seguiu ajudando o Líbano de forma contínua. Os novos fatos, no entanto, deflagraram a necessidade de nova chamada para ajuda. “O Líbano é um país em que o convívio é harmonioso entres as diversas religiões, como no Brasil, a cara do Brasil. O Brasil recebeu todas as etnias e convivemos em harmonia, o Líbano, da mesma forma – e hoje precisa muito da nossa ajuda”, diz Zoghbi.
A UPL recebeu uma listagem de produtos necessários – entre os quais remédios – do governo libanês, por meio da Embaixada do Líbano em Brasília e do Consulado-Geral do Líbano em São Paulo. Segundo Zoghbi, os insumos serão comprados pela associação com os fundos arrecadados – algumas empresas farmacêuticas doarão remédios diretamente – e enviados ao Líbano com a ajuda do governo federal brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE).
A Embaixada do Brasil em Beirute deve acompanhar a entrega e distribuição no Líbano. Quem deve fazer a distribuição entre os libaneses que necessitam é a Cruz Vermelha, juntamente com entidade governamental – no caso dos medicamentos, eles devem ir para unidades de saúde libanesas para distribuição gratuita, com destinação feita pelo Ministério da Saúde do Líbano. A campanha começou a fazer arrecadações há cerca de dez dias.
Zoghbi, que também é presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), lembra que recentemente se encerrou o Ramadã, mês sagrado do islamismo, que neste ano coincidiu com a Quaresma, tempo especial para a maioria das religiões cristãs, que termina em breve “Essa questão de ajuda nesse período é ainda maior porque você sente aquilo que as pessoas estão sentindo, as necessidades, e você abre o seu coração para a ajuda”, diz. A Fambras promove ações de ajuda humanitária junto a populações necessitadas no Brasil no Ramadã e em outros períodos.
Contribuições podem ser feitas na conta abaixo:
Banco do Brasil
Agência: 8258-9
Conta: 875-3
(ou) Pix: CNPJ 47.889.676/0001-41
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