Isaura Daniel
São Paulo – A carne bovina brasileira vai ser promovida na Argélia no início do próximo mês. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), responsável pelo abate halal no país, vão participar da Feira Internacional de Argel, que ocorrerá entre 1 e 8 de junho na capital do país árabe da África. Elas farão parte de um estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
De acordo com a assessora técnica da Abiec, Luciana Luiz Casanova, a viagem servirá para mostrar como o abate halal, que segue as regras muçulmanas, é feito no Brasil e para falar da qualidade da carne bovina produzida no país. O Brasil já vende carne bovina para a Argélia. No ano passado foram exportados US$ 108 milhões, com crescimento de 69% sobre o ano anterior. “Queremos firmar a integração econômica que já existe”, diz Luciana, que esteve ontem na Câmara Árabe para reunião preparatória para a feira.
A Argélia foi um dos países que parou de importar carne bovina brasileira em função dos casos de febre aftosa registrados no país no ano passado. Em março deste ano, porém, as importações foram retomadas parcialmente. O país árabe voltou a comprar carne desossada do Brasil, exceto de 15 estados. A Argélia não havia embargado oficialmente a carne bovina brasileira, mas não estava concedendo licença de importação. A participação argelina nas exportações de carne de gado do Brasil foi de 3,1% em 2005.
Na feira em Argel, a Abiec e a Fambras vão falar aos visitantes sobre as características do rebanho bovino brasileiro, como a criação do gado no pasto, o que é típico no país e torna a carne mais saudável. A Abiec possui um programa de marketing da carne brasileira chamado Brazilian Beef, que também será mostrado na Argélia. De acordo com dados da Abiec, os argelinos importaram apenas US$ 4,2 milhões em carne bovina brasileira entre janeiro e abril deste ano.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, a Argélia é um mercado potencial para os alimentos produzidos no Brasil. “Os alimentos representam 22% das importações argelinas”, diz Alaby. A Argélia importou no ano passado um total de US$ 22,5 bilhões em produtos em geral. Os principais parceiros comerciais do país árabe são França, Itália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, China e Turquia.
O Brasil na feira
O estande brasileiro na Feira Internacional de Argel terá, além da Abiec e da Fambras, também a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a Tangará, fabricante de leite em pó, a Starret, indústria de ferramentas, além da Rimo e da Divicar, fábricas de móveis. A feira é visitada por importadores de vários países da região, principalmente da África.
No ano passado, a Feira Internacional de Argel recebeu um milhão de pessoas, entre as quais 15 mil eram homens e mulheres de negócios. Participaram da mostra como expositores empresários de 35 países da Europa, América e África. Foram 1.300 estrangeiros e 600 da própria Argélia. A feira fica em um espaço de um milhão de metros quadrados.

