São Paulo – A Qatar Holding, braço de investimento do fundo soberano do Catar (Qatar Investment Authority), adquiriu 17% das ações com direito a voto na Volkswagen. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters. Com a ação, os árabes passam a ser acionistas majoritários da companhia alemã e aumentam a influência dos países do Oriente Médio no mercado automobilistico mundial.
A aquisição foi feita na semana passada, quando a Qatar exerceu opções de compra de ações da Volkswagen. Para o presidente da Qatar, Ahmad Al-Sayed, o investimento nos papéis da Volks são, agora, o principal negócio da companhia, principalmente por conta da aquisição da Porsche pela fabricante alemã.
"Como investidores estratégicos de longo prazo, continuamos a acreditar que o investimento na Volkswagen representa um ativo de investimento único para a Qatar Holding", disse Al-Sayed.
No início de dezembro, a Volkswagen comprou 49,9% da Porsche, dando continuidade ao processo de fusão das duas companhias, iniciado em maio. O valor da negociação foi de 3,9 bilhões de euros (US$ 5,8 bilhões). A terceira etapa do processo deve acontecer em 2011, com a integração dos negócios de varejo de carros das duas fabricantes alemãs. A Porsche Holding é o maior grupo de concessionárias de veículos da Europa, avaliado em 16 bilhões de euros em capital e dívida.
Com a aquisição das ações da Volkswagen, a Qatar deverá ter um representante no conselho de supervisão da Porsche. O nome do executivo, no entanto, ainda não foi divulgado.
Encerramento
Segundo informações da Volkswagen, com a negociação com a Porsche, a montadora encerra sua temporada de aquisões na indústria automobilística. Em entrevista a uma publicação alemã, o presidente mundial da companhia, Martin Winterkorn, afirmou que o grupo, "está satisfeito com a nova composição e não há necessidade de ampliação dos negócios" no momento.
Em 2009, a Volkswagen também comprou 19,9% de participação na japonesa Suzuki Motor. Com a Suzuki, os planos são outros. As empresas planejam desenvolver carros pequenos e populares, direcionados a países em desenvolvimento. Um modelo para o mercado indiano, por exemplo, está em estudo e deve custar até R$ 10 mil.
As operações de compra fizeram parte do esforço da Volks de se tornar a maior montadora do mundo até 2018. No Brasil, a Volkswagen é a segunda maior vendedora de carros, atrás por pequena margem da filial da italiana Fiat.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

