São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira (31) que o Catar tem enfrentado a crise econômica internacional com crescimento elevado de seu Produto Interno Bruto (PIB), superávit fiscal e no saldo da conta corrente externa. Além disso, a intervenção do governo no sistema bancário garantiu estabilidade financeira e espaço fiscal para que o país mantenha um grande programa de investimentos em setores da economia que não são relacionados à exploração de petróleo e gás. A diversificação de fontes de receitas é um dos principais desafios para o Catar nos próximos anos, de acordo com missão do FMI.
As estimativas do Fundo indicam que o PIB do Catar cresceu 18,8% em 2011, contra 16,6% em 2010 e 12% em 2009, e chegou a US$ 173 bilhões. O setor de hidrocarbonetos, que inclui petróleo, gás natural, propano, butano e derivados cresceu 31,1% em 2011 e o setor dos não derivados, 9% no mesmo período. O desenvolvimento das áreas não ligadas ao petróleo foi impulsionado pela indústria, serviços financeiros, comércio e turismo.
O FMI prevê que em 2012 o PIB do Catar irá desacelerar e crescer 6%. O setor de hidrocarbonetos deverá avançar 2,9% e os demais deverão repetir os 9% de crescimento, em média. “A previsão para 2012 e para os anos seguintes se apresenta favorável, mesmo com os crescentes riscos externos. Os principais riscos são os baixos preços dos hidrocarbonetos e uma potencial quebra no transporte de gás natural provocado pelas tensões geopolíticas”, afirma o relatório do FMI.
O estudo reconhece que o Catar está se esforçando para reduzir sua dependência da produção de derivados de petróleo e também elogia a intervenção realizada pelo país no seu sistema bancário em 2011. Acrescenta, porém, que o Catar tem uma política de crescimento arrojada e prevê que o bom momento da economia pode resultar em uma aceleração da inflação, que ficou em 2% no ano passado 2011, conforme as estimativas, e deverá subir 4% em 2012.
“A política fiscal deve continuar a manter um cuidadoso balanço nos gastos com infraestrutura, para sustentar o crescimento não inflacionário, e poupar e investir o superávit obtido com os derivados de petróleo para gerar renda suficiente para sustentar financiamentos futuros”, observa o levantamento.
O FMI conclui que reduzir a dependência das flutuações de preço dos derivados de petróleo irá requerer, além de uma boa administração dos recursos, a diversificação dos outros setores da economia e o aumento da competitividade. Também sugere que seria “oportuno” considerar realizar reformas de “profundas” na Previdência.

