Brasília – O Catar quer investir no Brasil. Durante encontro hoje (20) do emir do país árabe, Hamad Bin Khalifa Al Thani, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, a estatal Qatar Holding assinou memorandos de entendimentos com a mineradora Vale, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O objetivo dos acordos é prospectar possibilidades de investimentos no Brasil e no exterior em parceria com as empresas brasileiras. Representantes do governo e de companhias estatais do Catar tiveram reuniões com executivos de diversas empresas brasileiras de grande porte, tanto públicas como privadas, em busca de oportunidades.
Os catarianos têm interesse em setores como os de energia, desenvolvimento imobiliário, agronegócio, entre outros. “Eles estão interessados em oportunidades de investimentos em parceria com empresas brasileiras”, disse à ANBA o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Segundo ele, pelo texto assinado, o banco vai auxiliar na identificação dessas possibilidades. “Já há um movimento de prospecção das empresas brasileiras”, afirmou Coutinho. “Eles [os catarianos] tem uma visão de investimentos de médio prazo, o que é positivo. Eles querem alguma liquidez, mas aceitam investir para ter retorno, por exemplo, daqui a cinco anos, e o Brasil tem muitos projetos interessantes”, acrescentou.
O executivo destacou atividades como exploração e produção de petróleo, afretamento de equipamentos para o setor e o ramo de energia em geral.
O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, que participou de almoço em homenagem ao emir no Itamaraty, e teve oportunidade de conversar com o chefe de estado árabe e com o CEO da Catar Holding, Hamad Al-Saied, disse que Al-Thani falou sobre a idéia de financiar a abertura de escolas do idioma árabe no Brasil, e Al-Saied pediu à Câmara sugestões de projetos para investimentos. O vice-presidente de Relações Internacionais da entidade, professor Helmi Nasr, também esteve no almoço.
Participações
A participação das empresas e fundos estatais do Catar em projetos no exterior geralmente se dá por meio de participações minoritárias em projetos e empresas. O fundo soberano do país, por exemplo, tem participação na Vale, adquirida no ano passado.
De acordo com fontes do governo brasileiro, os catarianos, além do interesse em empreendimentos, têm interesse na compra direta de ações de companhias como o Banco do Brasil e Petrobras. No caso da Previ, a Qatar Holding quer fazer investimentos conjuntos.
Para o chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial do Itamaraty, Rodrigo Azeredo, os acordos assinados mostram “que cada vez mais [os investidores do Golfo] preferem tratar diretamente com o Brasil”. “Antes, eventuais investimentos vinham por meio, principalmente, de operadores europeus. Essa vinda direta é uma mudança importante”, declarou.
Em discurso no almoço em homenagem ao emir, no Itamaraty, o presidente Lula disse que os acordos assinados “espelham o potencial que une duas economias dinâmicas e complementares”.
Ele acrescentou que a conclusão das negociações do tratado de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) vai tornar as relações econômicas entre os dois países ainda mais promissoras. “Contamos com o empenho do Catar para concluir as negociações”, disse Lula. Além do Catar, fazem parte do GCC a Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
O presidente disse também que o Brasil tem um mercado interno “em plena expansão”, além de outros atrativos como a Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro e a solidez de seu mercado financeiro.
Lula afirmou ainda que a eventual criação de uma rota aérea entre os dois países vai intensificar ainda mais os negócios. Os dois governos assinaram um acordo aéreo e outra para evitar a bitributação de empresas aéreas que operem entre as duas nações. Firmaram também tratados sobre consultas políticas, supressão de exigência de vistos diplomáticos e oficiais e cooperação econômica
O emir, por sua vez, ressaltou a importância que Lula dá para o desenvolvimento das relações entre América Latina e mundo árabe e elogiou as iniciativas do Brasil no cenário externo, especialmente no que diz respeito à busca da paz entre Israel e Palestina.
Ele destacou que os dois países têm pontos de vista comuns, mas é preciso mais esforços para ampliar as relações comerciais, culturais e de investimentos.

