São Paulo – A missão do Catar que virá para o Brasil participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, irá apresentar os projetos mais recentes do país para aumentar sua produção de alimentos, sem, no entanto, emitir os gases responsáveis pelo efeito estufa. Para o Programa Nacional de Segurança Alimentar do Catar (QNFSP), esse é o principal desafio nos próximos anos.
A delegação do país no evento, que será realizado no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho, terá mais de cem pessoas e irá apresentar, por exemplo, estudos em projetos ambientais desenvolvidos pelo órgão que consomem mais de US$ 2,5 bilhões e o plano diretor de US$ 300 milhões que será implantado até 2024. Esse plano irá determinar como serão produzidos alimentos no país que sejam saudáveis para a população sem que sua produção lance gás carbono na atmosfera.
O Catar é um dos maiores produtores de gás e obtém a maior parte da sua receita por meio da exploração dos derivados de petróleo. Tem, também, a maior renda per capita do mundo. No entanto, sofre para produzir alimentos. Atualmente, 90% dos alimentos consumidos no Catar são importados. Em 2008, por exemplo, o déficit no comércio agrícola do país chegou a US$ 1,2 bilhão. Além disso, 75% da água é dessalinizada pois a quantidade de água subterrânea que o Catar extrai é maior do que sua capacidade de reposição.
Um dos motivos pelo qual a QNFSP foi criada é desenvolver formas de aumentar a produção de alimentos e a produtividade das suas fazendas e enfrentar a escassez de commodities e de água. Com maior produção de alimentos, o país fica menos sujeito às variações de preços e às instabilidades políticas dos exportadores.
"O país está dependente de elementos que estão fora das nossas fronteiras", afirma o presidente do QNFSP, Hamad Bin Khalifa Al-Thani. Ele disse, em nota do órgão, que o objetivo do país é parar com as emissões ao mesmo tempo em que administra as limitações naturais do Catar. Ou seja, utilizar a estrutura do QNFSP para produzir mais alimentos com energias renováveis.
Uma das formas de reduzir as emissões é gerar energia a partir do sol. Atualmente o país está construindo um parque solar que, além de movimentar uma usina de dessalinização de água, ajudará o país a aumentar a produção das suas fazendas. Ainda de acordo com o QNFSP, o país já reduziu em 14% as emissões de carbono. A meta é não emitir nada até 2030.

