Isaura Daniel, enviada especial
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Doha – O Catar, país árabe do Oriente Médio, vai promover, em outubro do ano que vem, um encontro entre árabes e descendentes que vivem fora dos seus países de origem. A iniciativa é da Associação de Empresários do Catar e foi tema de um encontro ontem (22) entre o diretor-geral da entidade, Bassam Massouh, o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e o diretor Wladimir Rafik Freua, em Doha. Os dois estiveram no país como parte de uma missão empresarial do setor de construção civil promovida pela Câmara Árabe e Agência de Promoção das Exportações e de Investimentos (Apex-Brasil) a três nações do Golfo Arábico.
A Associação de Empresários do Catar quer reunir 1,5 mil empresários de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Ele convidou a Câmara Árabe para ser a interlocutora do encontro no país. Será uma conferência na qual serão expostas as ações dos empresários árabes ao redor do mundo e deve servir, segundo Alaby, para que os árabes que estão em seus países de origem aproveitem parte da experiência dos seus ex-conterrâneos. O secretário-geral acredita que os brasileiros vão se interessar por participar do encontro. Na conferência também serão apresentadas as economias dos países árabes e suas particularidades.
Além de convidar os brasileiros para o encontro, Massouh também falou com os representantes da Câmara Árabe sobre a necessidade de levar uma delegação empresarial do Catar para o Brasil para aumentar as relações econômicas entre os dois países. O Brasil já promoveu várias missões comerciais para o Catar. O diretor-geral acredita que os brasileiros podem encontrar boas oportunidades de negócios no seu país, principalmente na área de construção e setores afins como móveis e decoração. O Catar e o Brasil tiveram um comércio de US$ 137 milhões nos dez primeiros deste ano. Apesar de o número não ser muito alto, ele vem crescendo, já que no mesmo período de 2006 a corrente comercial estava em US$ 55 milhões.
Massouh recomenda que os brasileiros se especializem e busquem vender para o Catar produtos com valor agregado, de alta tecnologia, para aumentar ainda mais o fluxo de comércio. O Catar é neste momento um forte comprador do setor de construção, já que está fazendo investimentos pesados na área. Em Doha não é possível andar mais que um quilômetro sem ver algum estabelecimento sendo levantado. O país árabe é produtor de petróleo e gás, produtos cujos preços vêm crescendo expressivamente no mercado internacional nos últimos anos e isto tem dado impulso à economia local. Ela cresceu 24% em 2006, segundo Massouh.
Outro motivo do crescimento, segundo ele, é a visão futurista do governo local, com esforços para desenvolver a área do conhecimento e investir em educação. O Catar está atraindo várias instituições de ensino estrangeiras. Uma das que abriram curso de Medicina no país foi a Cornell University, dos Estados Unidos. A receita do petróleo, segundo o diretor-geral da Associação dos Empresários do Catar, também vem sendo usada para transformar o país num local receptivo aos investimentos estrangeiros e à imigração. Uma das áreas onde o Catar quer atrair dinheiro e profissionais de fora é justamente a de energia, já que o país quer tecnologias avançadas para este setor.
Visão do Brasil
Parte dos empresários brasileiros que visitou o país pela missão ficou impressionada com o volume de obras em Doha. "Estou impressionado, tenho viajado para vários países e nunca vi tanta construção como aqui", disse Heber Santos, gerente de exportação da Induscabos, fabricante de cabos e fios elétricos brasileira que faz parte da delegação. Durante a passagem pelo Catar, Santos teve um encontro com um importador que promete render negócio. A negociação, porém, ainda depende de acerto de preço. O contrato, segundo Santos, para fornecer cabos de baixa tensão para edifícios, é de US$ 5 milhões."Ele gostou da qualidade do produto", diz Santos.
O gerente regional de vendas da Starrett, Sérgio Luís Teizen, também acredita no potencial dos mercados que visitou até ontem na missão: o Kuwait e o Catar. "Ficou a impressão de que as possibilidades de negócios são muito grandes", disse o gerente. As maiores oportunidades, ele diz, estão no Catar. A Starrett é uma multinacional do setor de ferramentas que tem fábrica no Brasil. Teizen planeja voltar ao Catar em abril do próximo ano para dar continuidade à busca de mercado.
"Construção existe aqui, mas eles ainda conhecem pouco o Brasil", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas), Sérgio Azeredo. O empresário, que é também proprietário da SP Stones, empresa do setor, vai levar aos associados da Abirochas a recomendação de que é importante ter um parceiro local para entrar no mercado dos dois países que visitou. Azeredo afirma que percebeu a presença forte de chineses e indianos no mercado de pedras ornamentais do Golfo, mas diz que o Brasil tem variedade e qualidade que eles não têm. "O Brasil tem mil tipos diferente de granito", afirma.
O presidente da Usmatic, Edmilson Marcondes dos Santos, está na missão a procura de um parceiro local, no Golfo Arábico, para abrir uma fábrica de hidrômetros. Hoje ele tem reunião agendada com um empresário do Catar em Dubai, nos Emirados, interessado no assunto. Edmilson quer abrir fábricas em várias partes do mundo, inclusive em outros países árabes, do Norte da África, com os quais já está negociando. O empresário pretende ensinar a sua tecnologia na fabricação do produto e enviar a relojoaria da peça para que ela seja, então, terminada no país árabe. A Usmatic é uma holding que tem seis fábricas e produz também pivôs centrais de irrigação.

