Da Agência Brasil
Brasília – Com o objetivo de impulsionar a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de promover a aproximação do governo brasileiro com países do continente africano, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, embarca nesta terça-feira (11) para uma visita a cinco países africanos em menos de uma semana. A pauta de negociações inclui a assinatura de acordos de cooperação internacional na área de saúde e educação, além de conversas sobre o futuro político dos países africanos.
A viagem de Celso Amorim também pode ser a prévia de uma futura visita do presidente Lula ao continente. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o chanceler disse que o presidente Lula já manifestou o desejo de visitar a África este ano, a exemplo do que fez em 2004. "Em alguns casos, sobretudo de Cabo Verde, levar adiante projetos anunciados quando o presidente Lula esteve lá. E em outros casos já preparar quem sabe, eu não sei quantos países o presidente poderá viajar, mas ele tem dito que deseja ir à África de novo este ano, então preparar o caminho como eu fiz quando ele foi no ano passado", revelou.
O chanceler começa a viagem com uma visita a Cabo Verde, onde assinará acordo para implantar no país a segunda fase do projeto Alfabetização Solidária que, na primeira etapa, atendeu três mil alunos. Amorim também assina acordo para estudos que vão viabilizar a construção da primeira universidade pública de Cabo Verde, além de ações para ajudar na implementação do projeto de cooperação internacional de combate ao HIV/Aids.
A segunda etapa da viagem de Celso Amorim no continente africano é Guiné Bissau, onde também assina acordo para implementar o programa de combate à Aids e visita as futuras instalações do Centro de Formação Profissional do país. A instabilidade política de Guiné Bissau será tema das discussões durante a visita, especialmente com foco na ajuda internacional para a reconstrução do país.
"Guiné Bissau que é um país que tem passado por instabilidade, e o Brasil tem procurado atuar junto à comunidade internacional para que haja compreensão para a importância da manutenção da ajuda. É o primeiro projeto do Ibas (grupo formado por Brasil, Índia e África do Sul)", ressaltou o chanceler.
No Senegal e na Nigéria, o ministro vai assinar acordos na área agrícola com o objetivo de auxiliar os países a desenvolverem técnicas de combate a pragas e o cultivo de hortaliças e outras culturas – como mandioca, trigo, arroz e frutas tropicais. "No Senegal, o Brasil deu ajuda importante e continua a dar no combate à praga do gafanhoto. Temos que dar assistência técnica para que isso possa ser usado. Vamos dar assistência técnica da Embrapa também".
As negociações do governo brasileiro também têm em vista os países produtores de petróleo, como a Nigéria. Segundo Celso Amorim, o objetivo do governo brasileiro é garantir a presença da Petrobrás no país africano para que o Brasil possa oferecer cooperação com refinarias e economia de petróleo. "Na Nigéria, além dos projetos de cooperação técnica vamos discutir questões de cooperação econômica", garantiu.
O chanceler encerra a visita à África em Camarões, onde vai inaugurar oficialmente a embaixada do Brasil no país. Celso Amorim também vai assinar acordo para implementar projeto que tem como objetivo divulgar técnicas de produção e aproveitamento de derivados do cacau – uma das riquezas naturais da região. "Claro que sempre há um passado de cooperação com esses países, mas estaremos iniciando projetos novos", resumiu Amorim.

