São Paulo – A delegação brasileira que participará da 4ª Cúpula América do Sul-Países árabes (Aspa) será chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro de lideranças das duas regiões vai ocorrer nos dias 10 e 11 em Riad, na Arábia Saudita. Nem a presidente Dilma Rousseff nem o vice-presidente Michel Temer estarão presentes. Pela primeira vez o Brasil não será representado por seu chefe de estado na Aspa.
Segundo informações da Presidência da República e do Itamaraty, Dilma designou o chanceler para representá-la na Aspa, entre outros motivos, por questões de agenda. A presidente pretende participar da reunião de cúpula do G20, no dia 15, na Turquia, e comparecer aos dois eventos a levaria a ficar muito tempo fora do Brasil. Já Temer deverá representar o País nas comemorações dos 40 anos da independência de Angola, na próxima semana.
Na seara interna, vale lembrar que o Brasil passa por um momento de turbulência política e que o governo tem tido dificuldade em controlar sua base no Congresso Nacional.
A pauta da Aspa deverá ser dominada por temas como a crise dos refugiados e os conflitos que atingem países árabes como a Síria, Iêmen e Líbia. Segundo o Itamaraty, o Brasil e as demais nações sul-americanas querem mostrar que não estão indiferentes a estas questões e que apoiam a busca de soluções.
De acordo com a diplomacia brasileira, o País emitiu vistos para mais de oito mil pessoas que fogem da guerra civil na Síria, sendo que mais de dois mil sírios receberam status de refugiados no Brasil até o momento.
Entre os assuntos que são sempre abordados nas reuniões da Aspa estão as ações de cooperação entre as duas regiões, o intercâmbio cultural, o comércio e os investimentos. Segundo o Itamaraty, a corrente comercial da América do Sul com o mundo árabe atingiu US$ 34,7 bilhões no ano passado, um aumento de 183% em comparação com 2005, quando foi realizada a primeira cúpula, em Brasília, por iniciativa do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Brasil respondeu pela maior parte das transações em 2014, com US$ 24,8 bilhões em exportações e importações do mundo árabe.
A diplomacia brasileira cita o avanço do comércio e a abertura de rotas aéreas entre as duas regiões como exemplos do sucesso da Aspa. Até 2007 não havia nenhuma linha direta entre o Brasil e países árabes, mas hoje é possível voar diretamente de São Paulo ou do Rio de Janeiro para Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Doha, no Catar, e Casablanca, no Marrocos. O encontro entre lideranças das duas regiões é visto como capaz de gerar novas oportunidades nestas e em outras áreas, como, por exemplo, a diversificação de mercados num momento de baixa demanda por commodities agrícolas e petróleo.
Fórum
Nesse sentido, será realizado nos dias 08 e 09 o Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, também em Riad. Entre os participantes estará a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que vai à Arábia Saudita com o objetivo de reabrir o mercado local para a carne bovina brasileira, fechado desde o final de 2012. Para o Ministério da Agricultura, isso permitirá o acesso a outros mercados da região do Golfo.
Abreu deverá ter encontros com o ministro saudita da Agricultura, Abdulrahman Al Fadhli, e com o presidente da Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA, na sigla em inglês). No fórum empresarial, a ministra tem reuniões marcadas com representantes de empresas e entidades setoriais dos ramos de agricultura, alimentos e comércio.
Os principais temas do fórum serão transporte e logística e, segundo o Itamaraty, a criação de linhas de navegação diretas entre a América do Sul e o mundo árabe é de especial interesse da parte árabe.
Do lado sul-americano, está confirmada a participação de pelo menos 34 representantes de empresas e entidades empresariais, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que é uma das organizadoras do encontro. O presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, o vice-presidente de Comércio Exterior, Rubens Hannun, e o diretor-geral da entidade, Michel Alaby, estarão no evento.


