Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – Durante a 76ª Reunião do Conselho de Ministros das Relações Exteriores Árabes, realizada na semana passada no Cairo, os chanceleres participantes aprovaram a pauta relativa às relações do mundo árabe com a América do Sul. A pauta incluía, entre outros assuntos, a reabertura dos escritórios da Liga Árabe em Brasília e Buenos Aires; a elaboração de propostas de ações conjuntas; e o comprometimento com as resoluções aprovadas na cúpula dos países árabes e sul-americanos, realizada em maio em Brasília.
"O interesse dos responsáveis árabes pelas relações com os paises sul-americanos não para de aumentar. Eles estão cada vez mais conscientes da importância de apoiar todas as iniciativas que conduzam a uma maior aproximação entre as duas regiões", disse Ahmed Ben Helli, secretário-geral adjunto da Liga dos Estados Árabes e encarregado de questões políticas.
Segundo ele, a pauta relativa à América do Sul foi aprovada por unanimidade. "Não houve divergência de posições entre os chanceleres", garantiu. "Nosso intuito é o de criar um eixo político e econômico com os paises da América do Sul e temos em vista a coordenação permanente de nossas posições sobre as mais diversas questões internacionais", acrescentou.
De acordo com Ben Helli, para avançar neste objetivo uma reunião do "Quarteto de Brasília" será realizada paralelamente à reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas, que começa amanhã (14) em Nova York. Dela vão participarão os chanceleres do Peru, uma vez que o país ocupa a presidência da Comunidade Sul-Americana de Nações, do Brasil, da Argélia, que está na presidência da Liga Árabe, e o secretário-geral da Liga, Amr Mussa. "A pauta vai incluir o projeto de reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, as causas Árabes, o combate ao terrorismo e à pobreza, o desenvolvimento dos paises do Sul e o desarmamento", disse.
Segundo ele, espera-se que as partes possam coordenar suas posições durante esta reunião e, em seguida, apresentá-las à Assembléia Geral.
Eixo econômico
Para a concretização do "eixo econômico" entre as duas regiões, Ben Helli defende que este trabalho deve ser feito por meio do apoio às câmaras de comercio árabes, tanto do mundo árabe quanto da América do Sul. "Temos pensado em promover regularmente encontros empresariais, como o que foi feito em São Paulo logo após a cúpula de maio. Gostaríamos que este tipo de evento pudesse se repetir alternadamente entre uma cidade árabe e uma sul-americana", afirmou. "Também manifestamos nosso pleno apoio a todas as iniciativas de abertura de linhas aéreas ligando as duas regiões", acrescentou.

