Isaura Daniel
São Paulo – Um grupo de estudantes do curso de Gastronomia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), da cidade gaúcha de São Leopoldo, preparou ontem (27), durante uma das suas aulas, dois banquetes de comida árabe. Um deles para ser servido em um casamento e o outro para o Ramadã, período religioso no qual os muçulmanos jejuam durante o dia e se alimentam durante a noite. Os estudantes são alunos do professor Jorge Nascimento, chef especializado na culinária mundial que fez, no ano passado, uma pesquisa gastronômica em três países árabes: Emirados, Omã e Líbano.
A experiência que Nascimento teve no mundo árabe é aproveitada no seu trabalho como professor e também como chef. Muito da cozinha da região, na verdade, o gaúcho já conhecia em função das constantes pesquisas que faz sobre a culinária mundial. A viagem feita por Nascimento durou 52 dias e incluiu também Alemanha e Turquia, além dos países árabes. Nela, o professor da Unisinos fez pesquisas por conta própria. Foi a diferentes tipos de restaurantes, visitou mercados, conheceu mais de perto os peixes, especiarias, curries e frutos locais. Em Dubai, segundo ele, é possível ter contato com a cozinha do mundo, principalmente a asiática e a européia.
Jorge Nascimento também participou como convidado da Gulf Food, maior feira de alimentação do Oriente Médio, que ocorre em Dubai, e que tem, entre suas atividades, um salão de culinária. O chef presenciou os vários concursos que acontecem na mostra. Um dos pratos que Nascimento gosta de fazer, e que aprendeu na sua viagem, é salmão com molho de creme de iogurte e endro fresco para ser servido com suflê de batatas defumado com chá verde. Ele experimentou um prato similar em um dos restaurantes visitados. No próximo ano, o gaúcho pretende viajar para outro país árabe, o Egito, para conhecer melhor sua culinária.
O chef Nascimento tem uma vasta experiência com culinária em seu currículo. Atualmente ele dá aulas na graduação de Gastronomia na Unisinos e no curso de Hotelaria na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS). Já trabalhou, porém, para vários restaurantes e hotéis, como Everest Palace, de Porto Alegre, Casa da Montanha e Laje de Pedra, da Serra Gaúcha, Holiday Inn, no Rio Grande do Sul, e Sheraton Mofarrej, em São Paulo. Em alguns dos hotéis, Nascimento foi chefe-executivo. Ou seja, não atuou apenas na cozinha, mas também na administração. Jorge Nascimento é formado em Hotelaria.
O gaúcho também já deu aulas na Universidade de Caxias do Sul (UCS), onde fez a sua graduação. A culinária ele aprendeu de forma autodidata. "Sempre curti comer coisas que os outros não comem", diz. Nascimento lembra da primeira vez que cozinhou. Tinha dez anos e estava com um amiguinho, que tinha alguma noção de como se cozinhava, em sua casa. Os dois resolveram fazer uma lasanha. Foram ao supermercado, compraram os ingredientes e fizeram o prato.
O fato de a sua família costumar dar jantares em casa – o pai de Nascimento, além de advogado, pertencia à diretoria do Grêmio Futebol Clube – ajudou o gaúcho a entender de culinária. "Umas duas vezes por semana havia jantares na minha casa. Eu comecei a perguntar porque era feito sempre o mesmo prato", conta. O próprio Nascimento, adolescente, começou a dar sugestões na cozinha e ficar ao redor das cozinheiras e da sua mãe, enquanto elas preparavam a refeição. Ele lembra da primeira receita que tentou fazer sozinho: panquecas. Em vez de duas xícaras de leite, ele entendeu que eram 22. Não deu certo. A mistura transbordou no liquidificador.
Depois Nascimento foi aprendendo. Já adolescente, era ele o responsável pelas refeições nas viagens feitas com grupos de amigos. Além de hotéis e restaurantes, Jorge Nascimento já trabalhou também em programas de televisão e com consultoria na área gastronômica. Atualmente, ele está fazendo uma pesquisa, juntamente com outros chefs, sobre os costumes alimentares no Rio Grande do Sul.

