Geovana Pagel
São Paulo – Um pequeno município do interior baiano chamado Itaberaba ganhou fama nacional em função da produção de abacaxis. Itaberaba é conhecida no estado da Bahia como "Cidade do Abacaxi". No país, ela é destaque no cultivo do abacaxi pérola. No ano passado a produção da variedade pérola na região chegou a 30 milhões de frutos. Além da alta produtividade, as plantações de Itaberaba também se destacam pela grande quantidade de açúcar nos frutos.
"A acidez do solo junto com a alta luminosidade do semi-árido e o baixo índice pluviométrico tornam a região perfeita para o cultivo do abacaxi", garante o presidente da Cooperativa de Produtores de Abacaxis de Itaberaba (Coopaita), Pedro Paulo Santos.
Santos conta que a história da produção de Itaberaba começou há cerca de 12 anos, quando a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a unidade de Mandioca e Fruticultura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Cruz das Almas, e os produtores resolveram investir no cultivo.
"Nosso trabalho é focado no manejo orgânico e na redução do uso de agrotóxicos", afirma o pesquisador da Embrapa, Getúlio Pinto da Cunha. Ele faz parte do comitê que pesquisa a fruticultura na região e que tem como foco principal o cultivo do abacaxi no município.
Em 1993 eram apenas 50 hectares cultivados. O baixo nível tecnológico não ajudava a produção a ir adiante. Hoje são dois mil hectares. O desenvolvimento que a nova cultura levou para a região já pode ser visto, segundo o presidente da Coopaita, na melhoria das casas na área rural.
O produtor Lorival da Cruz Santos, de 42 anos, é um dos 100 associados da Coopaita. Junto com o pai e mais três irmãos, ele cultiva uma área de 15 hectares, onde espera colher 250 mil frutos até o final de 2005. O produtor afirma que o abacaxi é "uma bênção de Deus".
Mas nem sempre foi assim. "Logo que comecei a plantar abacaxi, há cerca de 10 anos, ainda estava muito desorganizado, vendia para atravessadores e muitas vezes ficava no prejuízo", lembra Lorival. "De uns três anos pra cá passei a entregar a colheita na cooperativa, que garante o nosso pagamento", conta.
A nova atividade mudou significativamente a condição financeira da família de Lorival. "Quando a gente plantava mandioca, mamona e abóbora só dava para sobreviver e mesmo assim com dificuldades. Hoje já tenho moto e carro na garagem", comemora.
Mais empregos
O presidente da cooperativa acredita que o cultivo de abacaxis gera cerca de três mil empregos diretos e indiretos no município. No período da colheita, que estende-se de junho a dezembro, mais postos de trabalho são criados. Nos demais meses do ano, os produtores se dedicam à preparação do solo e ao plantio.
No mercado interno os principais compradores, além da Bahia, são Belo Horizonte, em Minas Gerais, a capital paulista e o Distrito Federal. No mercado externo, os primeiros passos foram dados no ano passado, quando a Coopaita atendeu pedidos de exportação para a Europa, por meio de uma empresa exportadora de Tocantins. Nesse momento, a cooperativa está em negociação com um importador de Portugal e espera fechar a primeira exportação direta até o final de 2005.
A certificação para inserir o abacaxi no mercado internacional está sendo elaborada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os produtores de abacaxi de Itaberaba também mantém parcerias com o Banco do Nordeste e Banco do Brasil.
Coopaita
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