São Paulo – A 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, que acontece de 25 de junho a 10 de julho, em São Paulo e no Rio de Janeiro, trará ao Brasil uma seleção de filmes que fazem parte da mostra Mapeando Subjetividade – Experimentação no Cinema Árabe da Década de 60 até os dias atuais, em cartaz no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa).
O evento, promovido pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe), este ano conta com a curadoria da libanesa Rasha Salti. Além de ter sido co-curadora da mostra do museu nova-iorquino, Salti foi programadora e diretora de criação da organização ArtEast de Nova York, que apoia artistas contemporâneos do Oriente Médio e Norte da África a divulgarem seu trabalho ao redor do mundo.
"O ‘Mapeando Subjetividade’ é um programa de cinema de arte, com duração de três anos, que tem filmes históricos mostrando diferentes movimentos do cinema de arte do mundo árabe. Há documentários e filmes de ficção que chegam até 2011", conta Soraya Smaili, diretora do Icarabe e responsável pela direção cultural e produção da mostra brasileira.
Em Nova York, a mostra está em seu terceiro ano. Em 2012, o Icarabe irá exibir as produções dos dois primeiros anos do evento. "O Brasil será o primeiro país a receber a itinerância dessa mostra", revela Smaili. Ela destaca que a mostra trará filmes de diversos países árabes, como Marrocos, Palestina, Argélia, Egito, Emirados Árabes, Catar, etc.
"Isso quebra o paradigma de que o cinema (árabe) é só egípcio. O mundo árabe tem cinema de tradição e não só no Egito. É um cinema que evoluiu muito", afirma. Entre as produções de outros países que o público poderá conferir, ela destaca as obras dos marroquinos Ahmed Bouanani e Ali Essafi, e também do libanês Mohamad Soueid.
De Soueid, os brasileiros poderão ver Tango of Yearning e My Heart Beats Only for Her. Os filmes Wanted e Ouarzazate, the Movie representam o trabalho de Essafi. Ambos os diretores vêm ao Brasil para participar de debates com o público. O curta palestino The Shooter, de Ihab Jadallah, e a produção egípcia Domestic Tourism II, de Maha Maamoun, também são destaque da mostra no Brasil.
"Queremos fazer um seminário com os convidados para falar de como é viver nestes países. Isto ajuda a aproximar, dialogar e desfazer estereótipos", diz a diretora do Icarabe. "Mas ainda estamos atingindo fatias (do público). Por isso, estamos ampliando a mostra para outras cidades. Ano passado fizemos em Brasília e este ano vamos para o Rio", explica. No total, o evento trará sete diretores convidados para apresentarem suas obras e participarem de encontros com as plateias.
Mostra que informa
Segundo Smaili, ao longo dos anos, a mostra brasileira vem ganhando espaço e ajudando a esclarecer o que são o mundo e a cultura árabe ao público participante. "A mostra está cada vez mais consistente e cada vez maior. Ano passado, tivemos espaço em programas de TV, jornais e revistas. Fomos criando um conjunto de ações que se ampliaram e isso reflete na presença do público". Em 2011, o evento contou com cerca de cinco mil pessoas.
Os acontecimentos da Primavera Árabe também contribuíram para o interesse dos brasileiros no cinema da região. "Foi sala cheia o tempo todo", conta a diretora. As histórias das revoluções nos países árabes também são o tema de cinco produções filmadas em 2011 e que integram a mostra.
O Brasil também terá uma obra sua como parte do evento. O filme Constantino, de Otávio Cury, é inédito e será lançado durante a mostra. A produção conta a história do diretor durante sua viagem à Síria, terra de seu bisavô, a qual visitou pela primeira vez em 2001.
Outro sinal do sucesso do cinema árabe no Brasil é a proposta para que o evento se torne permanente na capital paulista. "Há um projeto de lei, do vereador Jamil Murad, e que já está tramitando na câmara, para que a mostra faça parte do calendário oficial da cidade", conta Smaili.
Nesta edição, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira também entra como uma das realizadoras do evento. "Este ano, no qual comemoramos os 60 anos da Câmara, estamos entrando forte nesta área cultural. Vamos fazer uma série de eventos que incluem cinema, teatro, dança e gastronomia para celebrar a data com a comunidade árabe e os brasileiros", diz Karina Cassapula, coordenadora de Marketing da entidade.
Após passar por São Paulo e Rio, alguns filmes da mostra também irão a Porto Alegre e Belo Horizonte. Em São Paulo, a mostra acontece na Cinemateca (entrada gratuita), no CineSESC e Cine Olido (entrada a R$1). No Rio de Janeiro, os filmes serão exibidos no Instituto Moreira Salles (entrada gratuita). A programação completa do evento ainda está sendo definida e, posteriormente, será divulgada no site www.icarabe.org.br.

