São Paulo – Apesar do mercado mundial de açúcar e etanol aquecido, o Brasil não deve ser capaz de atender a demanda crescente. Após prever um aumento de 3,5% em oferta açúcar e etanol para este ano, a Datagro, prestadora de serviços na área, agora acredita que ela vai cair 2,2%. A informação é do presidente da empresa, Plinio Mario Nastari, e foi dada ontem durante a 9ª Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Álcool, em São Paulo.
A queda na oferta deve ocorrer em função das chuvas excessivas, que vão prejudicar a safra de cana-de-açúcar 2009/2010, e do baixo rendimento industrial das usinas. Em função do setor ter enfrentado crise de preços há dois anos, e baixa liquidez, desde setembro do no ano passado, os produtores investiram pouco em fertilizantes e herbicidas.
Isso deve ser um problema para um mercado mundial aquecido. O déficit global de açúcar, no ano que vem, será de sete milhões de toneladas. A Índia, grande fornecedora de produto, também enfrenta problemas. De uma safra de cana de 26,4 milhões de toneladas em 2007/2008, o país colheu 14,6 milhões de toneladas na safra 2008/2009 e não vai avançar muito em 2009/2010: 15,3 milhões de toneladas, para demanda interna de 23 milhões de toneladas.
“Apesar do incentivo dos preços, as usinas não tem conseguido aumentar a produção de açúcar por causa das chuvas”, afirma Nastari. No caso do açúcar, o Brasil terá um excedente exportável de apenas 21,6 milhões de toneladas. Inicialmente se previa 23,3 milhões de toneladas para exportar. A moagem de cana-de-açúcar, na safra 2008/2009 brasileira, será de 523 milhões de toneladas a 533 milhões de toneladas. Deve haver pressão tanto nos preços de açúcar quanto etanol nos próximos meses.

