Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – Cinco pólos de produção do Paraná, estado do Sul do Brasil, ganharam prioridade no país. São arranjos produtos locais, chamados de APLs, regiões onde empresas de um mesmo setor atuam em cooperação. Cinco deles passarão a integrar o grupo de APLs prioritários do governo federal: software em Curitiba, metais sanitários em Loanda, no Oeste do estado, confecções, na região Sudoeste, equipamentos e implementos agrícolas, nas cidades de Cascavel e Toledo, também no Oeste paranaense, e derivados da mandioca, em Paranavaí, na região Noroeste. Os novos APLs, que se somam a outros seis já apoiados pelo governo federal no estado, começam, a partir de 2008, a receber recursos das linhas de financiamento oficiais.
Os clusters paranaenses selecionados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) devem elaborar um plano de desenvolvimento e encaminhá-lo, no começo do ano que vem, ao órgão. O Ministério fará a avaliação das propostas e articulará o financiamento das ações e projetos junto às instituições que fazem parte do Grupo de Trabalho Permanente para APLs, do governo federal. O Grupo é formado por representantes do próprio MDIC, dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento, BNDES, Banco do Brasil, Ipea e Sebrae, entre outras instituições.
No Paraná, os APLs que recebem apoio do MDIC desde 2004 são os de cal e calcário, na Região Metropolitana de Curitiba, bonés, em Apucarana, madeira e esquadrias, em União da Vitória, confecções, em Cianorte e Maringá, moda bebê, em Terra Roxa, e móveis, em Arapongas. Atualmente, a Federação das Indústrias do Paraná, um dos parceiros da Rede APL no estado, trabalha com 17 arranjos industriais, que englobam cerca de três mil indústrias e geram cerca de 60 mil empregos diretos.
De acordo com as normas do MDIC, um APL deve ter um número significativo de empreendimentos no território e de indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante, que compartilhem formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança”. O resultado dessa união é o desenvolvimento do setor. “Após nos reunirmos em Arranjo Produtivo Local, aumentamos nossa produção de metais sanitários de 700 mil para 1,3 milhão de peças por mês”, conta o gestor do APL de metais sanitários de Loanda, Marcio Moraes.
Em Campo Mourão, no Noroeste do Paraná, o destaque também é a integração entre as empresas. “Nossas indústrias não são concorrentes. Isso porque produzem equipamentos diferentes e também pela característica do APL, que nasceu de uma incubadora de empresas”, afirmou o gestor do APL da área médica, Ater Cristófoli.
Na região de Arapongas, no Norte do estado, sobressai-se o APL de móveis. Entre 2000 e 2006, o faturamento do setor, em termos nominais, dobrou, passando de R$ 480 milhões para R$ 916 milhões. No mesmo período, as exportações foram multiplicadas por quatro. Subiram de R$ 15,2 milhões para R$ 68,6 milhões. No ano passado, as vendas de móveis do Paraná para o Oriente Médio e Norte da África totalizaram R$ 3,8 milhões.
*Federação das Indústrias do Paraná

