Alexandre Rocha, enviado especial
alexandre.rocha@anba.com.br
Brasília – A Confederação Nacional da Indústria pretende realizar ações de promoção comercial no Golfo Arábico em 2008. “Existem alguns mercados que nós achamos que devem ser alvo de ações consistentes de promoção comercial. Um deles é o dos países do Golfo”, disse ontem (18) à ANBA o gerente executivo de comércio exterior da CNI, José Frederico Álvares. Em 2007 a entidade organizou eventos em seis países, em 2008 serão em oito, incluindo um da região. “Este é um mercado que tem que ser explorado, há ainda um espaço enorme”, afirmou Álvares.
A CNI costuma levar empresas de pequeno e médio portes em missões comerciais, dentro de um programa dirigido pelos Centros Internacionais de Negócios (CINs) das federações estaduais da indústria. Além disso, segundo Álvares, a entidade tem estimulado o andamento das negociações entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) para um tratado de livre comércio.
A gerente executiva de negociações internacionais da CNI, Soraya Rosar, tem acompanhado as conversas entre os dois blocos. Segundo ela, ainda existem arestas a serem aparadas, especialmente na área de petroquímicos, onde as indústrias brasileiras temem a concorrência das empresas do Golfo. Ela acredita, porém, que não será difícil chegar a uma solução, eventualmete com implementação de prazos diferentes para a desoneração de determinados produtos ou até reduções menores de alíquotas dependendo da mercadoria.
Apesar do receito de uma recessão nos Estados Unidos, que pode contaminar o comércio exterior como um todo, a CNI aposta também em outros mercados emergentes, além do Golfo, para os produtos brasileiros, como a China, Índia e Árica do Sul. “É evidente que o Brasil diversificou destinos, para áreas novas que não respondiam por uma parcela significatica das exportações e que hoje têm um peso maior”, disse o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto. “Mas o processo de crise nos EUA não afeta somente as importações norte-americanas, mas também as compras de outros países. No entanto, não há expectativa de efeitos negativos de forma tão abrupta”, acrescentou.
Com relação à China, por exemplo, Álvares disse que os exportadores brasileiros têm que aproveitar melhor as opotunidades do mercado. “As exportações ainda estão muito concentradas em produtos de menor valor. Precisamos melhorar a qualidade das exportações”, afirmou.
Se o crescimento das exportações deve ser menor no ano que vem, segundo a CNI, Álvares diz que o processo de internacionalização das empresas brasileiras é uma tendência que deve aumentar. Com a aquisição de companhias no exterior ou construção de unidades produtivas lá fora, as indústrias têm condições de vencer barreiras eventualmente impostas a produtos do Brasil, ganham em produtividade com a assimilação de novas tecnologias e conseguem trabalhar em ambientes de negócios muita vezes mais favoráveis.
No longo prazo, de acordo com Álvares, o aumento dos investimentos lá fora, aliado à redução do superávit comercial pode contribuir para que a taxa de câmbio volte a ficar mais favorável aos exportadores, com o real se desvalorizando frente ao dólar.

