São Paulo – Nascida em Novo Oriente, no Ceará, a artesã Francisca Rosa Macedo chegou a Brasília em 1982. Anos mais tarde, ao ver uma criança se machucando com um lacre de latinha de alumínio, Chica Rosa, como ficou conhecida, teve a ideia de utilizar a peça, geralmente descartada, para criar acessórios femininos. Assim, em 1997, nascia a Cia do Lacre, associação brasiliense que se transformou em cooperativa e, hoje, produz bolsas, cintos, broches, colares, chapéus, vestidos e tops, tudo com muito lacre, linha e criatividade.
São duas mil peças com bastante cor e brilho produzidas mensalmente por 32 artesãs, todas vendidas ao mercado externo. “Vendemos para os Estados Unidos e Alemanha”, conta Maria de Jesus Pereira da Silva, atual presidente da cooperativa. “Este mês recebemos um pedido de quatro mil peças, mas não conseguimos entregar. Vamos mandar duas mil agora e o restante no próximo mês”.
Silva conta que as exportações começaram em 2005, com o auxílio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Hoje, as vendas ao exterior são feitas diretamente com as cooperadas.
Para criar as peças, as artesãs recolhem os lacres de três casas de reciclagem na capital federal. “Cada artesã usa, em média, 50 quilos de lacres por mês, ou mais”, afirma Silva. As peças produzidas são vendidas por valores que vão de R$ 20 a R$ 400. No exterior, uma bolsa da Cia do Lacre chega a ser revendida por até US$ 750.
A cooperativa já participou de desfiles em Brasília e também em Lisboa, em Portugal. “Foi durante o Rock in Rio [em Lisboa]. Fizemos peças para o desfile e também para venda”, conta a presidente sobre o evento na capital portuguesa, em 2008. O primeiro desfile da marca, em 2004, no Brasília Fashion Festival, contou com a participação do estilista Ronaldo Fraga. “Ele fez a criação das peças. Ficava diariamente com a gente e se a peça não ficava boa, ele mandava desmanchar”, revela a artesã.
Segundo Silva, as cooperadas pensaram em participar de feiras no exterior, mas a ideia não foi em frente devido aos altos custos, mesmo assim a empresa recebeu contato de mais clientes interessados nas peças. “Já tivemos um contato da Itália”, conta.
O faturamento da Cia do Lacre gira em torno de R$ 40 mil por mês e cada cooperada recebe, em média, um salário mínimo. Quem estiver em Brasília e quiser conhecer o trabalho e também comprar as peças da Cia do Lacre pode fazer uma visita à sede da cooperativa, que fica aberta ao público.
Contato
Cia do Lacre
Tel.: +55 (61) 3399-6805
E-mail: ciadolacre@ciadolacre.com
Site: www.ciadolacre.com.br

