Alexandre Rocha
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São Paulo – A corrente de comércio entre o Brasil e os países árabes, soma das exportações mais as importações, chegou a US$ 13,5 bilhões em 2007, um aumento de 12% em comparação com 2006. O número é resultado de vendas brasileiras de US$ 7 bilhões, 5% a mais do que no ano anterior, e de compras de mercadorias árabes de US$ 6,5 bilhões, um crescimento de 20,13%. Os dados foram divulgados ontem (16) pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr.
“A cada ano mais empresas estão indo ao mercado árabe, tendo sucesso e conseguido participações bastante grandes”, afirmou Sarkis. “Estamos felizes com os números, mas eles poderiam ser até mais significativos”, acrescentou.
Ele lembrou que no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando as exportações do Brasil aos árabes estavam em US$ 2,6 bilhões ao ano, a Câmara Árabe apresentou um estudo ao governo mostrando que as vendas poderiam chegar a US$ 7 bilhões em quatro anos.
“Na época muita gente não acreditou, mas nós chegamos a este patamar, com um ano de atraso, mas chegamos”, disse Sarkis. “Faz tempo que a Câmara fala do potencial do mercado árabe e hoje ele já é mais conhecido por todos”, afirmou.
Segundo ele, se não fosse pela queda no preço do açúcar, o aumento das receitas com as exportações aos árabes teria sido maior. Até 2006 a commodity era o principal item da pauta e, apesar de em 2007 o volume exportado ter se mantido estável, o faturamento com as vendas para a região diminuiu 24% para US$ 1,63 bilhão. De acordo com informações do Ministério da Agricultura, o preço da tonelada de açúcar caiu de US$ 327 em 2006 para US$ 263 em 2007.
Sarkis destacou que o crescimento das vendas de outras mercadorias compensou a queda do preço do açúcar, como foi o caso das carnes, que passaram a ser o principal item da pauta, com exportações de US$ 2 bilhões, um aumento de 27%, da soja, cujos embarques cresceram 15%, da madeira e celulose (66%), do material de construção (67%), dos lácteos (440%), dos semimanufaturados de ferro e aço (83%) e das máquinas agrícolas (36%). “Tirando o açúcar, os outros produtos juntos tiveram um crescimento de 20%”, declarou.
Ele ressaltou também que a Câmara está investindo na promoção de produtos com maior valor agregado, como materiais de construção, itens para hotelaria e alimentos industrializados.
Como exemplo, Sarkis citou algumas ações, entre elas a participação de empresas brasileiras na Big 5 Show, feira do ramo de construção realizada em Dubai no final do ano passado, que a entidade organizou em parceria com a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), e duas missões comerciais promovidas ao mesmo tempo para países do Golfo. Num jantar oferecido pela Câmara na ocasião, no hotel Jumeirah Beach, compareceram cerca de 150 brasileiros e mais de 120 empresários árabes. Ele acrescentou que em fevereiro a entidade vai levar companhias brasileiras para a Gulfood, mostra do ramo de alimentação que ocorre em Dubai também.
Na seara das importações, o petróleo foi o grande responsável pelo crescimento. O Brasil importou o equivalente a US$ 5,55 bilhões em petróleo e derivados dos países árabes, ante US$ 4,88 bilhões em 2006. As importações de fertilizantes também cresceram, passando de US$ 217 milhões em 2006 para US$ 500 milhões em 2007. Isto fez com que o superávit brasileiro na balança caísse para pouco mais de US$ 500 milhões, ante US$ 1,3 bilhão no ano passado.
Mais 10% em 2008
Para 2008, Sarkis estima que o comércio bilateral deverá crescer cerca de 10%. “E esta é uma previsão conservadora”, afirmou ele, que espera um aumento no preço do açúcar e nas exportações de outras mercadorias. O presidente da Câmara disse ainda que as relações comerciais deverão ser fortalecidas com a realização da 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes, programada para ocorrer este ano.

