Alexandre Rocha
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São Paulo – A corrente de comércio do Brasil com os países árabes, que é a soma das exportações e importações, chegou a quase US$ 4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 43,5% em comparação com o mesmo período de 2007, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O valor é resultado de exportações de 1,765 bilhão e importações de US$ 2,169 bilhões, com crescimentos, respectivamente, de 17,07% e 75,76% em relação aos primeiros três meses do ano passado. O saldo da balança foi superavitário para o mundo árabe em US$ 404 milhões, ante um resultado positivo para o Brasil em US$ 273,5 milhões no mesmo período de 2007.
“A corrente comercial chegar a quase US$ 4 bilhões em apenas três meses demonstra o amadurecimento das relações bilaterais”, disse o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr. “E existe um equilíbrio, num momento há superávit para um lado e depois há para o outro”, acrescentou.
Os países do Golfo Arábico foram os grandes responsáveis pelo aumento das exportações brasileiras. Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Kuwait e Omã realizaram compras de US$ 1,034 bilhão, 47,7% a mais do que nos primeiros três meses do ano passado.
Sarkis observa que os países do Golfo, especialmente os grandes produtores de petróleo, vivem um momento de grande liquidez por causa da valorização do petróleo. Com exceção do Iraque, todos eles ampliaram de forma significativa as importações brasileiras.
A Arábia Saudita, principal mercado brasileiro no mundo árabe, comprou o equivalente a US$ 476,3 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 65,4%; as vendas ao Bahrein cresceram em 202,7% e chegaram a US$ 48,4 milhões; para o Catar o total embarcado foi de US$ 61,1 milhões, 55,4% a mais; os Emirados importaram US$ 252,2 milhões em produtos, uma ampliação de 20%; as exportações ao Iêmen renderam US$ 55,7 milhões, um aumento de 45,4%; as vendas para o Kuwait ficaram em US$ 87,4 milhões, um crescimento de 93%; e Omã comprou o equivalente a US$ 29,8 milhões, 13,7% a mais.
Entre os maiores destinos dos produtos brasileiros no mundo árabe, porém, depois da Arábia Saudita e dos Emirados, vêm o Egito, com compras de US$ 208,1 milhões; a Argélia, que importou o equivalente a US$ 126,5 milhões; e o Marrocos, para onde as exportações renderam US$ 112,1 milhões nos primeiros três meses do ano.
Importações
Os países do Golfo puxaram também as importações do Brasil. Eles forneceram o equivalente a US$ 994,3 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 117% em comparação com o mesmo período de 2007, liderados por Arábia Saudita (US$ 707 milhões) e Emirados (US$ 113 milhões).
Houve também crescimento expressivo das importações dos países do Norte da África (51%) e do Levante (60%). A Argélia ficou em segundo lugar entre os principais fornecedores árabes do Brasil, com vendas de US$ 555,3 milhões, seguida da Líbia (US$ 358 milhões), do Marrocos (US$ 213 milhões) e do Iraque (US$ 150 milhões).
As altas taxas de crescimento das exportações de países como Marrocos (305,4%) e Tunísia (145%) indicam que, além do petróleo e derivados, o Brasil está importando um volume bem maior de fertilizantes do mundo árabe, uma vez que estes países são grandes produtores de fosfatos e outros insumos.

