São Paulo – O comércio do Brasil com os países árabes bateu todos os recordes no ano passado. As exportações renderam US$ 9,8 bilhões, um aumento de 41% em comparação com 2007; as importações somaram US$ 10,5 bilhões, um crescimento de 62,2%; e a corrente comercial chegou a US$ 20,3 bilhões, um acréscimo de 51,2%. Os dados foram apresentados ontem (15) pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Mesmo após o recrudescimento da crise internacional, no segundo semestre, os negócios do Brasil com o mundo árabe continuaram a crescer fortemente. “Nos dois últimos meses de 2008 o crescimento foi até superior à média anual”, disse o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., durante entrevista coletiva realizada na sede da entidade, em São Paulo. Em novembro as exportações aumentaram 51% e, em dezembro, 56%.
“A crise existe, é global, mas é basicamente de liquidez, e no mundo árabe hoje liquidez não é problema. É uma das poucas regiões do mundo onde existem recursos sem depender de financiamento externo”, afirmou Sarkis. Nesse sentido, ele acredita que em 2009 o comércio vai continuar a crescer de maneira expressiva.
Em sua avaliação, na seara dos negócios com os árabes o Brasil pode transformar o momento de crise em oportunidades, especialmente agora que o real desvalorizou frente ao dólar e os produtos brasileiros se tornaram mais baratos no exterior.
Ele destacou, que apesar do bom aumento das exportações, o Brasil fornece apenas 1,3% de tudo o que os países árabes importam, havendo ainda muito espaço para crescer. Sarkis acredita que os exportadores brasileiros podem dobrar sua participação nas importações dos árabes em cinco anos.
“As empresas brasileiras que já estão no mercado árabe precisam dar atenção especial a esses países, pois eles estão sendo assediados pelo resto do mundo”, declarou Sarkis. Com as nações desenvolvidas em recessão, o Oriente Médio e o Norte da África passam a ser foco de atração dos interesses dos exportadores ao redor do globo.
Para ele, o Brasil pode ganhar mais espaço na região em 2009, mas para isso precisa ampliar sua presença e ser competitivo. “Podemos ser surpreendidos positivamente, afinal nossas metas têm sido superadas nos últimos 10 anos. A meta para 2008 era de 15% [de crescimento]”, declarou.
Mercados
Os principais destinos dos produtos brasileiros em 2008 foram a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 2,5 bilhões, um aumento de 73,4% sobre 2007; Egito, com US$ 1,4 bilhão, crescimento de 13,75%; Emirados Árabes Unidos, com US$ 1,32 bilhão, ampliação de 10,56%; Argélia, com US$ 632,5 milhões, 26,2% a mais; e Kuwait, com US$ 632,3 milhões, aumento de 174%.
Os produtos mais comercializados foram carnes de frango e bovina, açúcar, minérios, ferro e aço e veículos, sendo que na área agropecuária tiveram grande participação também o óleo de soja e os cereais.
Nas importações, os principais fornecedores foram Arábia Saudita, com US$ 2,9 bilhões, um crescimento de 70,4% em comparação com 2007; a Argélia, com US$ 2,5 bilhões, um aumento de 11,6%; a Líbia, com US$ 1,4 bilhão, um acréscimo de 40,8%; o Iraque, com US$ 1,19 bilhão, 336,2% a mais; e o Marrocos, com US$ 1,14 bilhão, uma ampliação de 115%. Os itens mais importantes da pauta de importação foram petróleo, derivados e fertilizantes.

