Alexandre Rocha
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São Paulo – A corrente de comércio entre o Brasil e os países árabes, soma das exportações e importações, ultrapassou US$ 1,4 bilhão em janeiro, o melhor resultado mensal desde agosto de 2005. O número é quase 50% maior do que o registrado em janeiro de 2007 e 3,7% superior ao de dezembro último, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
As exportações brasileiras renderam US$ 621 milhões, um aumento de 23% em comparação com janeiro do ano passado e 7,6% a mais do que em dezembro. “O ano começou com os números bem acima da meta”, disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. Em janeiro a entidade estimou um crescimento de 10% no comércio bilateral este ano, ressaltando, porém, que se trata de uma previsão conservadora.
Ocorreram aumentos expressivos em várias categorias de produtos, como carnes (de frango e bovina), minérios, lácteos, máquinas e equipamentos, trigo, vergalhões e laminados de ferro e aço, equipamentos elétricos, carnes e pescados em conserva, bovinos vivos, papel, fumo, madeira e objetos de madeira, óleo de soja e calçados.
As carnes e os minérios mais uma vez ultrapassaram o açúcar como principal item da pauta. Os lácteos, por sua vez, pularam da 15ª posição para a quarta. Já o trigo, produto que o Brasil é tradicional importador, teve exportações de mais de US$ 20 milhões.
Houve queda, porém, nas vendas de mercadorias como açúcar, veículos, café, artefatos de ferro e aço, borracha e produtos de borracha e plásticos e objetos de plástico. “Imagine se açúcar não tivesse caído”, observou Sarkis sobre o produto que é tradicionalmente o principal da pauta.
Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o preço foi um dos principais fatores do aumento das receitas com as exportações. De acordo com ele, o valor médio da carne bovina exportada, por exemplo, aumentou em mais de 65% desde janeiro do ano passado, o frango valorizou em 30,8% e o farelo de soja em 50,8%.
Ocorreu, no entanto, crescimento também das quantidades exportadas. “Apesar do receio com a crise nos Estados Unidos, a expectativa é de que os preços das commodities não caiam tão depressa. Então pode haver também alguma formação de estoque”, declarou Castro.
No caso do minério de ferro, na avaliação de Castro, há inclusive expectativa de aumento das cotações em abril, o que leva os importadores a fazer estoques. Além disso, os países do Oriente Médio têm investido pesado na indústria siderúrgica. Este segmento está sendo impulsionado especialmente pela disponibilidade de fontes baratas de energia, como o gás natural.
O vice-presidente da AEB disse ainda que as empresas brasileiras, com receio da retração do comércio internacional frente à recessão nos EUA, têm intensificado seus esforços de promoção comercial para tentar maximizar ao máximo as exportações.
Importações
As importações de produtos árabes, por sua vez, somaram US$ 784 milhões, um aumento de quase 80% sobre janeiro de 2007 e de 3,7% em comparação com dezembro. Aumentaram também as compras de várias categorias de produtos, como petróleo e derivados, adubos e fertilizantes, enxofre, fosfato de cálcio e mármores, resíduos de alumínio, equipamentos elétricos, plásticos, pescados, itens de vestuário e algodão.
Embora o petróleo e seus derivados dominem a maior parte da pauta, a importação de adubos e fertilizantes, por exemplo, teve um grande crescimento. Saíram de US$ 1,7 milhão em janeiro de 2007 para US$ 22 milhões no mês passado. “O Brasil está se preparando para uma safra recorde este ano”, observou Sarkis.
Países
Os países árabes com os quais o Brasil manteve os maiores fluxos de comércio em janeiro foram Arábia Saudita, Argélia, Líbia, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Egito, Catar, Síria, Kuwait e Líbano. O comércio, no entanto, cresceu mais com Ilhas Comores (886%, mas calculado sobre uma base muito pequena), Bahrein (382%), Catar (229%), Arábia Saudita (211%), Marrocos (209%), Omã (75,6%), Kuwait (74%), Síria (49%), Jordânia (38%) e Sudão (28%).

