Alexandre Rocha
São Paulo – Mais uma vez o comércio com os países árabes superou as expectativas. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras para a região bateram um novo recorde mensal em agosto, chegando a US$ 615,7 milhões, um aumento de 55% em comparação com o mesmo mês do ano passado. As importações registraram um valor recorde de US$ 881 milhões, ou 139% a mais do que em agosto de 2004.
Com isso, a corrente comercial, que é a soma das exportações e as importações, chegou a quase US$ 1,5 bilhão, um aumento de 95% em comparação com o mesmo mês do ano passado. "Os resultados são sinais da cúpula dos países árabes e sul-americanos", disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., referindo-se ao evento que ocorreu em maio em Brasília.
O aumento do comércio com os árabes foi superior à média brasileira. As exportações totais do Brasil cresceram 25,3% no mês e as importações, 36,5%.
"Os números resultam da aproximação que começou já na preparação da cúpula, com as missões empresarias e com as visitas de ministros", acrescentou Sarkis. Na semana passada, em audiência no Senado, o chanceler Celso Amorim citou os resultados do comércio com os países árabes como exemplo de sucesso na política externa brasileira.
Com os novos resultados, Sarkis acredita que é possível rever para cima a previsão de aumento das exportações no ano como um todo. "Já é possível prever algo pelo menos em torno de 25%", disse. No início do ano, a CCAB estimava que os embarques para a região deveriam crescer entre 12% e 13%.
Embora o ritmo do crescimento esteja surpreendendo, Sarkis acredita que ele só vem confirmar o que a CCAB prega há tempos: o enorme potencial do mercado árabe. "O dados vêm coroar o trabalho da Câmara. Há anos nós falamos do potencial do mercado árabe e é uma satisfação ver que os números mostram esta realidade", declarou.
Em sua avaliação, os produtos que o Brasil já exporta tradicionalmente, como açúcar, carnes e minério de ferro, estão tendo um papel importante no desempenho. "É possível ver que estes são nichos de mercado que o Brasil já conquistou e que tiveram uma expansão grande", afirmou. Para ele, as exportações devem continuar fortes em setembro. "O mercado árabe está cada vez mais consolidado para as empresas brasileiras", acrescentou. No caso das importações, o aumento do preço do petróleo influenciou o desempenho.
Acumulado
Nos oito meses do ano, a corrente comercial já chegou a US$ 6,8 bilhões, 35% a mais do que no mesmo período de 2004. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras chegaram a US$ 3,3 bilhões, um aumento de 27% sobre o mesmo período do ano passado. Já as importações somaram US$ 3,5 bilhões, um crescimento de 43% em relação aos primeiros oito meses de 2004.
Nos últimos 12 meses os embarques de produtos brasileiros para a região ultrapassaram os US$ 4,7 bilhões, um crescimento de 25% em comparação com os 12 meses anteriores. As importações, por sua vez, somaram quase US$ 5,2 bilhões, ou 49% a mais. A corrente comercial anualizada já está próxima dos US$ 10 bilhões.

